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A COPA DAS COPAS

Relatou-me um grande amigo que um interlocutor seu, estrangeiro, lhe fizera a seguinte apreciação a respeito da Copa: “O Brasil é um país decepcionante; detentor de uma expertise notável e uma paixão única nos domínios do futebol, capaz de mobilizar toda a nacionalidade num confronto esportivo como o do campeonato internacional dessa modalidade de esporte, chega às vésperas da disputa completamente desmotivado. Não se veem as manifestações públicas de outrora, substituídas que foram por sérias críticas ao governo, à organização da copa, às questões de segurança, à idoneidade dos órgãos públicos”.

A oportunidade leva a uma análise mais aprofundada. Por exemplo, não tem qualquer razão de ser divulgar slogans contra a Copa, porque a melhor opção seria o investimento em educação e a saúde. Não só não se dimensionaram os esforços que o País vem fazendo no campo desses direitos sociais, como se estabeleceu um confronto que não faz o menor sentido. O Brasil precisa de saúde e educação, mas também de esportes, de futebol.

O esforço das atividades brasileiras em prol da realização da Copa no Brasil não foi a busca de promoção de um negócio, mas de uma ação estratégica. Muito além, tratava-se de uma dentre várias medidas, para promover o País no concerto das nações, como ocorreu, com a sua presença na diplomacia internacional e na economia, onde pudemos ter destaque na distribuição de renda, na evolução da prosperidade nacional.

Visto como ação estratégica, deveria ser preocupação de cada brasileiro contribuir para que desse certo. Mas não! Foram muitos os setores da sociedade que, motivados pela disputa eleitoral quase simultânea, procuraram caracterizar o seu país como uma nação de segunda classe, como tem sido ventilado. E, nessa direção, não se preocuparam em mostrar os acertos nacionais, mas se concentraram em indicadores negativos – a maior parte deles forjadas – contaminando o pensamento nacional e abatendo o ânimo social.

Mas veio o primeiro jogo, em 12 de junho, para permitir uma avaliação real. E, para surpresa daqueles que não se cansaram de denegrir a Nação, tudo ocorreu muito bem, a despeito dos encapuzados que atentaram contra o patrimônio alheio, dos chamados movimentos sociais solidários, cuja presença foi notada apenas pela baderna que fizeram. A organização esteve impecável, os equipamentos funcionaram corretamente e o espetáculo foi digno de encômios, apesar da presença de uns tantos espectadores de baixo nível de educação, que dirigiram palavrões à Presidente da República, como se estivessem em suas casas. Para estes, sim, a recomendação prioritária seria reforçar a educação.

O mais importante, todavia, foi o clima de animação e solidariedade que tomou conta não só da exibição esportiva, mas também das muitas aglomerações que se formaram em outros locais, em outras praças, em outros estados e em outros países. Quem ouviu os comentários finais dos apresentadores da TV Globo, terá assistido a uma manifestação apoteótica, inesperada, até, por conta do clima de críticas em que a mídia vinha comentando sistematicamente os preparativos da Copa. Mas a sensibilidade dos jornalistas captou com perfeição o ânimo nacional, que empolgou também outros participantes do certame.

A empolgação representa bem a cordialidade brasileira, que uns poucos espíritos derrotistas e alheios às virtudes nacionais procuraram toldar , sem sucesso, em geral procurando favorecer os seus próprios interesses.

O espetáculo visto e sentido foi muito além do esperado. Se alguma falha houve, deve ser entendida no contexto traçado dias atrás pelo Ministro do Supremo Tribunal, Luís Roberto Barroso, ao afirmar: “somos uma sociedade em progressivo avanço civilizatório. Temos andado na direção certa, embora não na velocidade desejada. A percepção crítica que se deve conservar é no sentido de empurrar a história e avançar o processo civilizatório, não negligenciando o fato de que percorremos um longo caminho, com muito sucesso”.

Adriano M. Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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