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PASADENA X GENERAL MOTORS

Posted By Adriano Branco On 8 maio, 2014 @ 11:38 am In Políticas Públicas | No Comments

Finalmente a presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, fez um depoimento completo sobre a celeuma acerca da aquisição da refinaria Pasadena. Disse ela que, à luz da economia mundial de 2006, a compra de 50% da empresa foi um bom negócio; mas que se desequilibrou a partir da grave crise mundial em 2008 e da obrigação da Petrobrás de adquirir os 50% restantes, podendo, entretanto, ser novamente lucrativo, como promete este ano. Disse entretanto a presidente que a compra da refinaria contemplara também decisões estratégicas de interesse da Petrobrás à época, voltadas à qualidade do processamento do petróleo e ao crescimento mais rápido da oferta brasileira de derivados, amplamente justificáveis pelo então aceleramento da produção e consumo desses derivados. Assim sendo, confrontar receita e despesa da unidade seria apenas uma parte das análises de viabilidade do negócio.

Em abono a essas considerações, a Globo News, em sua edição de 30/04/14, das 18 horas, entrevistou um especialista na matéria, o consultor Jean Paul Prates, que, com grande clareza e competência, lembrou que a crise de 2008 abalou a economia mundial profundamente. Que o digam a Grécia, Portugal, a Espanha e os próprios Estados Unidos – foco das manipulações financeiras que desequilibraram o mundo. Assim, o bom negócio de 2006 poderia não o ser em 2008, como, de fato, não foi. Diga-se de passagem, entretanto, que outras refinarias foram negociadas na ocasião da venda da Pasadena por preços, por barril processado, superiores aos dela. Mais ainda, essa destilaria hoje apresenta lucro, podendo recuperar-se dos prejuízos contabilizados.

Finalmente, acrescentou o especialista, as questões ligadas ao petróleo tem que ser vistas, necessariamente, no longo prazo e de forma estratégica.

Vale confrontar, porém, a compra da Pasadena, pela Petrobrás, com a estatização temporária da General Motors, a que foram compelidos os EUA, para que a gigante dos automóveis não fosse à falência, em 2008, em razão da crise financeira mundial desencadeada pelos próprios norte americanos.

Relata o noticiário do Estadão, em 01/05/14, que:

“O governo dos Estados Unidos teve prejuízo de cerca de US$ 11,2 bilhões com seu resgate da General Motors, mais do que o Tesouro estimou quando vendeu suas ações restantes da GM em dezembro, segundo um relatório do governo divulgado nesta quarta-feira.

O prejuízo de 11,2 bilhões de dólares inclui uma baixa contábil em março de 826 milhões de dólares remanescentes investidos na “velha” GM, segundo o relatório trimestral de um regulador do Tesouro.

O governo norte-americano gastou 50 bilhões de dólares para resgatar a GM.”

Os norte americanos, que abominam as intervenções governamentais no domínio privado, não tiveram alternativa, no caso da General Motors e de muitas outras empresas, ao socorro prestado, à custa de 11 bilhões de dólares, neles incluído quase um bilhão de investimentos na velha GM. A Petrobrás aplicou 1,2 bilhões de dólares no empreendimento; o governo norte-americano aplicou 50 bilhões, dos quais perdeu 11.

Visão estratégica e de longo prazo, diriam os especialistas; “marmelada”, dirão os críticos mais apressados.

Adriano M. Branco


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