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Brasileiro é IMPRODUTIVO

Esse é o titulo de matéria publicada na última edição da revista The Economist e publicada em O Estado de São Paulo de 18/04/14.

Sem produzir uma análise séria, como conviria a uma revista de projeção como essa, o periódico inicia seu comentário entitulando-o de “soneca de 50 anos” e acrescentando: “os brasileiros são gloriosamente improdutivos e devem sair de seu estado de estupor para ajudar a economia”.

Um espanto! O comentário irresponsável não dedica uma linha sequer à análise das causas da improdutividade brasileira, admitida como fruto de indolência.

A baixa produtividade nacional é um fato; mas como decorrência de uma serie de fatores, que vão das carências educacionais às deficiências da infraestrutura em muitas áreas da economia. Não é de hoje que eu escrevo sobre a perda de produtividade das pessoas em razão das agruras por que passam quotidianamente no transporte público e no trânsito. Percorrendo caminhos que lhes tomariam uma ou duas horas por dia, mas que acabam demandando duas a quatro horas, em veículos apinhados de gente e submetidos a congestionamento insuportável, os usuários do transporte, público ou privado, sofrem um verdadeiro estresse urbano, responsável por perdas significativas na sua produtividade. Os mesmos fatores desse estresse respondem por perdas de eficiência nos setores da educação, da saúde, da segurança, rebaixando ainda mais a produtividade geral.

É muito recente entre nós o reconhecimento desses “fatores de fadiga”, dos quais a indústria evoluída trata, ao avaliar a sua produção, levando em conta o grau de treinamento do trabalhador e as condições do ambiente de trabalho (iluminação, calor, ruído, etc.). Mas em 1958 a Comissão Anápio Gomes avaliou as perdas no transporte e no Trânsito de São Paulo concluindo por perdas de produtividade da ordem de 8%, número esse que certamente duplicou ou triplicou nos 56 anos que se passaram desde então.

Os graves problemas de infraestrutura com que o Brasil convive, nas áreas do transporte de cargas (veja-se a situação de pré-colapso do sistema exportador – rodovias, porto, etc.), das comunicações (recordista de reclamações dos usuários), do transporte urbano (50 bilhões de reais são perdidos todos os anos na Região Metropolitana de São Paulo), da produção e distribuição de energia, do saneamento, do abastecimento de água potável, só para citar os setores mais relevantes, certamente respondem por altas taxas de improdutividade. Portanto é neles e nos prejuízos sociais e ambientais que deveremos concentrar a nossa atenção.

Mas não nas gracinhas da revista The Economist….

Adriano M. Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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