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MOBILIDADE URBANA EM SÃO PAULO

Artigo publicado na Coluna Ponto de vista (site ANTP), em 13/03/14

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A Companhia do metrô acaba de divulgar a Pesquisa de Mobilidade Urbana da Região Metropolitana de São Paulo, referente ao ano de 2012. Tal estudo atualiza, com base em informações de 2012, os dados da pesquisa de Origem e Destino (OD), que se faz a cada 10 anos e cujo último ano de referência foi 2007. As pesquisas OD são mais detalhadas e aprofundadas do que as pesquisas intermediárias, que visam conferir alguma atualidade aos dados mais importantes daquelas, evitando intervalos muito longos (10 anos).

Esta magnífica pesquisa de 2012, agora editada sob o título de Pesquisa de Mobilidade de 2012 (PM 2012), é um documento de extrema relevância, que confirma a necessidade de atualização quinquenal das pesquisas OD, tão grandes foram as mutações observadas no intervalo de 2007/2012. Para os derrotistas que insistem em que o Brasil está parando, alguns lembretes básicos:

  • Enquanto a população cresceu 2% (no intervalo) o número de viagens diárias aumentou 15%;
  • O número de empregos cresceu 8%;
  • As viagens diárias por transporte coletivo aumentaram 16%, enquanto aquelas por transporte individual cresceram, 21%;

Mas, para aqueles que pretendem medir a prosperidade nacional através do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), como explicar que, sob um baixo PIB (Pibinho…) os empregos crescem 8% e a taxa de motorização expandiu 18%, igual índice ao do crescimento da frota particular?

Estes dados inspiram certa perplexidade, que precisa ser comentada. A primeira delas é a verificação de que, enquanto o número de viagens diárias cresceu 62% nos sistemas de trens urbanos e aumentou 45% na rede metroviária, expandiu 21% no transporte individual. Tudo isso enquanto a população metropolitana elevou-se em apenas 2%.

Dado o forte incremento no transporte de massa e uma razoável expansão no transporte por ônibus (13%), ainda assim cresceu 21% o número de viagens diárias por automóveis. A expectativa era de que o forte incremento do transporte público reduzisse a expansão automobilística. Em 2011 até ensaiei uma possível reversão de expectativas, quando propus, em artigo publicado pela revista Coletivo, da SPTrans, que se estabelecesse uma meta de distribuição modal, que era da ordem de 55% para o coletivo e 45% para transporte individual, para 70/30, cujos resultados no descongestionamento urbano e no conforto nos transportes seriam notáveis.

Na contramão do idealizado, o transporte individual cresceu 21% (!) e a Taxa de Motorização elevou-se em 18%.

A interpretação não é difícil: enquanto os órgãos de planejamento dos transportes (inclusive o federal – Ministério das Cidades) propõem medidas cada vez mais consistentes em favor da mobilidade urbana, o setor econômico entendeu de apostar no crescimento do PIB através do estímulo à indústria de automóveis: atração de novas fábricas, redução de impostos, crédito facilitado, ampla promoção comercial e prestígio junto aos governos.

A contradição é evidente. È tão injustificável essa dualidade de propostas, que se pode até concluir que o crescimento do PIB idealizado dessa forma é nefasto ao País. Assim, reduzir o PIB pode ser a receita da prosperidade….

No próximo artigo voltarei ao tema, indicando caminhos alternativos aos que têm sido trilhados.

Adriano M. Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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