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PROSPERIDADE SEM CRESCIMENTO

Artigo Publicado em 11/05/13, Coluna Ponto de Vista do site ANTP

http://www.antp.org.br/website/noticias/ponto-de-vista/show.asp?npgCode=6D43D0DA-CC65-4C5C-B95C-CACEF30E443A

Sob o título acima, o professor Rogério Furquim Werneck aborda em O Estado de São Paulo, de 26/04/13, várias visões acerca da economia nacional, dentre as quais transcreve uma do vice-presidente Michel Temer. Teria dito ele que “PIB e PIBINHO não interessam ao povo. Ele quer saber de emprego e se vai poder comprar um frango e um ventilador”.

Embora chamada de “rudimentar” pelo articulista, tal manifestação do Vice-Presidente coloca em cheque o conceito muito diferenciado de que, sem crescimento do PIB, o País não se desenvolve, apontando-o como meia verdade.

De fato, quando se eleva a produção de automóveis, bafejada por redução de impostos, contenção do preço dos combustíveis e financiamentos das vendas a juros baixos e prazos longos, diz-se que isso tem fundamental importância para elevação do PIB nacional, pois o PIB automobilístico representa 25% daquele da parcela industrial. Mas, por outro lado, não se ponderam os inconvenientes da opção pelo transporte individual assim estimulada: aumento do número de acidentes e fatalidades, elevação do consumo de combustíveis e da poluição por eles produzida, acréscimo dos investimentos em obras viárias e sua conservação, congestionamento das vias e consequente redução da velocidade de circulação, etc., etc.

Já se calculou em São Paulo o custo das perdas sofridas pela população em decorrência do congestionamento urbano. São 50 bilhões de reais por ano, mais do que o orçamento municipal.

Por outro lado, a Companhia do Metrô tem demonstrado que os benefícios econômicos e socioambientais que a população alcançou por ter a opção metroviária, equivaleram em 2012 à enorme cifra de 7,2 bilhões de reais, cerca de 4 vezes as receitas operacionais.

Semelhante demonstração faz a CPTM, registrando um Balanço Social superior a 6 bilhões de reais por ano.

A mobilidade urbana, então, cresce com os investimentos em transporte público, ao mesmo tempo em que sobe a qualidade de vida da população e se reduzem as perdas avaliadas em 50 bilhões de reais por ano. Estamos, pois, reconhecendo as virtudes de política de transportes que está na contramão dos estímulos ao uso do automóvel, adotados em nome da elevação do PIB nacional. Ou seja, mesmo com “PIBINHO” de hoje é possível alcançar níveis superiores de prosperidade, desde que não se desperdicem os recursos de que a Nação dispõe.

O crescimento econômico é bom para o País, desde que alcançado de maneira sustentável, o que visivelmente não vem ocorrendo com os transportes brasileiros, que se apoiam nos modos de menor eficiência, seja nas cidades, seja nas estradas.

Adriano M. Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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