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HERMANO CINTRA

Faleceu em 22/04/13, o engenheiro Sebastião Hermano Leite Cintra, homem que honrou a engenharia brasileira e a atividade pública.

Eu o conheci em Brasília por volta de 1981 quando participávamos, com vários ilustres companheiros, como Hélio Costa, Hélio Keller, Benedito Costa, Marcio Junqueira, Rogério Belda, Stanley Fortes Baptista, dentre outros, da elaboração da Ação Programada em Ciência e Tecnologia, setor Transportes. Recorda-se que foi um trabalho de grande envergadura, abrangendo um grande número de temas.

Pouco tempo depois, no início de 1993, tive a oportunidade de indicá-lo ao Secretário de Negócios Metropolitanos Almino Affonso, para compor a sua equipe técnica para o período de governo que se iniciava. Ele foi nomeado diretor da EMPLASA – Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S/A., dedicado ao planejamento dos transportes metropolitanos. Algum tempo depois, Almino o nomeou diretor da Companhia do Metrô.

Nessa mesma ocasião, eu assessorava o Governador Montoro, através do Conselho de Infraestrutura, que reunia os secretários de estado dessa área.

Foi ali, a partir de uma provocação ao Almino no sentido de que o METRÔ não era metropolitano, pois não saia da cidade de São Paulo, devendo obter da Prefeitura a devida concessão, é que veio uma nova ideia: O Metrô poderia ter uma linha metropolitana de transportes, mas na modalidade ônibus. Nascia então a ideia do Corredor de Tróleibus ABD, ligando as cidades de São Paulo, Santo André, São Caetano e Diadema, que foi implantada pelo Metrô, sob a coordenação inicial de Hermano.

Em Maio de 1994 eu fui nomeado Secretário de Estado dos Transportes e, no final do ano, convidei o Hermano para organizar uma nova diretoria para a FEPASA – Ferrovias Paulistas S/A., assumindo-lhe a presidência. Foi uma gestão profícua, vitoriosa, que se encerrou batendo o recorde de transporte de cargas (23 milhões de toneladas em 1986 e meta de 32 milhões em 1990). No tocante ao trem de Subúrbio, a FEPASA substitui-o por um “trem metropolitano”, com grandes avanços tecnológicos.

Mas várias outras iniciativas foram levadas a cabo, como o equacionamento da dívida herdada, de 1,6 bilhões de dólares, a implantação do PRMF – Plano de Recuperação e Modernização da Ferrovia, o plano de redução de pontos críticos da malha, que os reduziu de 223 para 37, a conclusão da nova linha férrea de Juquiá a Cajati, a modernização de todo o sistema de sinalização e controle, a desobstrução do tráfego no centro de várias cidades, a conclusão da modernização da estrada entre Campinas e Santos, o inicio da eletrificação do “corredor de exportação” Ribeirão Preto/Campinas, dentre tantas medidas inovadoras da gestão.

Hermano, apoiado por uma Diretoria de profissionais muito competentes, cuidou da empresa como um todo: buscou novas tecnologias, harmonizou os interesses de 6 sindicatos, que representavam 19.000 empregados e 52.000 aposentados, saneou a economia, adotou iniciativas no sentido da intermodalização do transporte, construindo vários armazéns graneleiros, interagiu com os centros de pesquisas nacionais, e até promoveu o indescritível programa de levar crianças do Interior para conhecer o mar, na baixada santista.

Foram tempos de grande realização, para os quais muito contribuiu o Hermano, credenciando-se a vir a ser o Secretário Adjunto dos Transportes, no início do governo Mário Covas. Ele mereceu o reconhecimento de todos, como a saudade dos que privaram com ele.

Adriano M. Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

2 Responses to “HERMANO CINTRA”

  • Prezado Dr. Adriano Branco,

    Passado 6 meses da morte de meu pai, encontrei em seu blog este texto sobre a vida profissional dele, que muito orgulho da a todos em nossa família. Meu pai sempre falou com muito orgulho do tempo que trabalhou com o Senhor e espero que nos filhos de Hermano e Anna Maria possamos dar continuidade a toda esta dedicação que marcou meu pai em sua vida profissional.

    Agradeço em nome da minha família sua mensagem e estarei enviando seu texto para minha mae.

    Abs

    Paulo

  • Prezado Dr. Adriano Branco, passado 6 meses da morte de meu pai, encontrei seu post sobre a vida profissional dele, a qual nos enche de orgulho, pois como filho temos a missão de mater e seguir os ensinamentos por ele passado a nos. Agradeço muito em nome de minha família e irei compartilhar seu texto com minha mãe. Abs Paulo

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