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OS PREJUÍZOS CAUSADOS PELO TRÂNSITO CONGESTIONADO

É de extrema relevância a matéria “Trânsito de SP já causa perdas de R$ 50 bi por ano”, publicada na edição de 26/11/2012, do Estadão, por Paulo Saldanha. A dimensão das perdas calculadas pelo professor Marcos Cintra, vice-presidente da FGV-SP e também Secretário Municipal de Desenvolvimento Urbano, é de molde a alarmar qualquer administrador público, especialmente quando se observa que tais perdas superam o orçamento da Prefeitura de São Paulo. Em síntese, o dinheiro que gostaríamos de ter para resolver o problema é, na verdade, jogado fora.

Mas é preciso lembrar, ainda, que o primeiro cálculo dessa natureza, feito em São Paulo em 1958 por consultores especializados, já indicava essa relação: as perdas superavam em 50% o orçamento municipal.

De lá para cá várias vezes se ensaiaram novos cálculos e novas pesquisas, resultando números que variam de acordo com a metodologia; mas todos igualmente assustadores. No estudo do prof. Marcos Cintra, por exemplo, não se computaram as perdas decorrentes da redução de produtividade de toda a população, em razão do stresse urbano causado pelos congestionamentos, tal como se fizera em 1958. E esse número é, por si, espantosamente grande.

Em estudo que fiz em 1998, publicado na Revista ANTP nº 89 – 1º trimestre de 1999, deixei de lado alguns números, mas considerei a perda de produtividade. E os resultados foram da mesma ordem de grandeza desses apurados pelo prof. Marcos Cintra.

Venho insistindo no cálculo desse tipo de perda, seja porque a baixa produtividade afeta o desenvolvimento nacional, seja por que começam a surgir estudos mais consistentes acerca do estresse urbano, como: “Repensar a Cidade: São Paulo adoece seus habitantes” (27/02/12 – Ana Lúcia da Agência FAPESP); “Estudo mostra que viver em cidade grande pode afetar saúde emocional” (Jornal Hoje, 13/03/2012); “Médicos veem relação entre a vida urbana e distúrbios mentais” (Carta Capital, 29/10/2012).

Finalmente devo recordar que já tínhamos ideia da dimensão do problema desde 1958. São passados 54 anos, ao longo dos quais acumularam perdas da ordem de 2,7 trilhões de reais.

Parabéns ao Saldanha por abordar tão relevante questão, abrindo campo para um debate aprofundado.

Adriano M. Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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