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QUANTO CUSTA O CONGESTIONAMENTO

Desde 1958, quando a Prefeitura de São Paulo promoveu estudo sobre os custos sociais da precária situação dos transportes públicos e dos consequentes congestionamentos do tráfego, eu me dedico ao tema, principalmente devido ao grande impacto sobre mim causado pela informação de que tais custos equivaliam a uma vez e meia o orçamento da Cidade. Mas também chamou-me a atenção a metodologia de cálculo, que avaliava a perda da produtividade da população em decorrência do stress que lhe era causado pelas dificuldades do transporte e do trânsito. Não só era um dado novo nos estudos, mas também relevante, pois a mencionada perda fora estimada em 8% da massa salarial da população afetada (usuária dos serviços que asseguram a mobilidade).

Ao longo dos 54 anos posteriores voltei ao assunto, em 1998, quando calculei semelhantes perdas, admitindo ser de 20 % a queda da produtividade e concluindo por perdas anuais globais da ordem de R$ 21,8 bilhões, para a Região Metropolitana de São Paulo, valor que eu tenho atualizado, através de mera estimativa, para R$ 40 bilhões por ano.

Mas em 2008, o professor Marcos Cintra, Secretário Municipal (SP) de Desenvolvimento Econômico e Trabalho publicou artigo calculando os Custos do Congestionamento na Capital Paulista em R$ 33,5 bilhões anualmente, o que de certa forma confirmava as minhas estimativas, pois as análises dele se referiam somente à Capital e não levavam em conta as perdas de produtividade.

Agora, porém, o professor Marcos Cintra volta ao tema, através de nova avaliação que, embora preliminar, identifica as perdas, no município, como atingindo R$ 52,8 bilhões por ano (Diário Econômico, 18/5/2012). E não inclui a redução da produtividade, que é um dos maiores valores no cálculo dos prejuízos sociais. Assim, as minhas estimativas poderão ser corrigidas para algo acima de R$ 60 bilhões anuais, para a R.M.S.P.

Em 1968 eu publicara artigo (A Gazeta, 05/06/1968) intitulado “São Paulo Vai Parar”, em que apontava a rápida degradação da mobilidade. Muitos me cobraram por esse título, ao longo do tempo, pois São Paulo não parou. Na verdade, uma cidade que perde tantos bilhões por ano, nos custos de deslocamento, está virtualmente paralisada.

Mais recentemente, tenho dito que caminhamos rápido para o colapso. É expressão mais forte, mas que se avizinha da realidade. Basta ver as quotidianas paralisações, os níveis de congestionamento, os números dos acidentes e das mortes, para admiti-lo.

Basta saber que as perdas sociais continuam crescendo e já são superiores a 60 bilhões de reais; (quase duas vezes o orçamento da Cidade – mais do que em 1958) basta reconhecer, como ultimamente vem sendo visto por especialistas em neuroses e fadigas urbanas, que os desvios psíquicos oriundos do trânsito e do transporte, são muito maiores do que se pensava.

Estamos no caminho do colapso.

Adriano Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

2 Responses to “QUANTO CUSTA O CONGESTIONAMENTO”

  • Olá, sou uma das editoras do blog de mobilidade urbana sustentável TheCityFixBrasil.com, produzido pela EMBARQ Brasil. Gostaríamos de compartilhar este e outros artigos interessantes do sr. Adriano Branco no nosso blog, certamente com os devidos crétidos. É possível?

    Também aproveito para colocar nosso conteúdo à disposição para eventuais re-postagens! Por favor, entrem em contato pelo email mcavalcanti@embarqbrasil.org , obrigada!

  • Prezada Maria Fernanda

    Vi o seu blog TheCityFixBrasil.com e fiquei contente de ver que não ando exatamente falando sozinho.
    Você pode valer-se dos textos do meu site à vontade, nas condições propostas. E eu vou começar a ver,
    com atenção, as matérias do seu blog.
    Não sei o quanto você já viu dos meus escritos, desde 2008. São perto de 200 artigos, onde você poderá
    encontrar subsídios para as suas matérias.

    Grato pela atenção

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