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O PETRÓLEO ARGENTINO

Ao ler a matéria e ver a foto da celebração pública da presidente argentina pela expropriação da YPF (Estadão, 28/04/12), lembrei-me vagamente de uma história protagonizada pelo prefeito Jânio Quadros. Num fim de semana, noticiou-se uma greve nos transportes públicos, a ser deflagrada na segunda-feira seguinte. Ante a gravidade da situação, o noticiário da imprensa se avolumava em torno da questão.

Quando se esperava um pronunciamento do Prefeito sobre a greve, eis que o sempre inesperado Jânio Quadros aparece com outra notícia: estava determinado a desapropriação da casa de ninguém menos que o presidente da Federação do Comércio, Abram Szajman! As razões da desapropriação, como convinha, eram um tanto nebulosas.

O final da semana foi todo dedicado ao noticiário relativo à desapropriação. E é fácil imaginar quanto assunto deu…

A segunda-feira seguinte foi toda de expectativa, até que, à tarde, o prefeito revogou a desapropriação.

E a greve dos transportes? Ninguém se lembrava mais dela, que se esvaziou… Foi mais ou menos essa história que se contou, à época.

Cristina Kirchner deu um troco valente às criticas de que tem sido alvo: apropriou-se da YPF – Yacimientos Petrolíferos Fiscales, empresa estatal fundada em 1922 e privatizada em 1992. Teria lá suas razões, fruto do descontentamento com a queda da produção petrolífera de seu país, em razão, segundo ela, do baixo investimento feito pela concessionária. Mas, na verdade, a presidente Cristina aproveitou-se do mau desempenho da YPF para fazer retroceder a decisão de 1992 (concessão privada), que fora muito mais fruto da pressão do Branco Mundial, executor das regras do Consenso de Washington, do que do desejo argentino. Com efeito, 62% dos argentinos aprovaram a expropriação feita por Cristina, retornando ao estado uma empresa que fora, por muitos anos, orgulho do país.

Mas ninguém espere que a presidente volte atrás, como ocorreu na historieta protagonizada por Jânio Quadros. A decisão dela foi consciente da reação que sofreria e se caracterizou como um ato de soberania nacional. E quanto mais alta se faça a gritaria externa, mais aplausos ocorrerão no plano interno. Veja-se que, em 04/05/12, nada menos de 207 deputados, contra 32, aprovaram a expropriação da YPF.

Mais ainda, quanto maiores forem os disparates contidos nas propostas de retaliação internacional, mais sólida será a posição da presidente Cristina Kirchner.

Adriano M. Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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