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VAI DE ÔNIBUS OU DE METRÔ?

Sob o título “Ônibus é o que menos atrai novos passageiros”, a Folha de São Paulo publicou importante matéria sobre o momentoso tema da mobilidade urbana em São Paulo. O foco principal foi a chamada “perda de espaço” do sistema de ônibus para o transporte de massa (metrô e trem metropolitano), caracterizada pela variação de 10,5% no número de passageiros transportados por ônibus municipais no período 2006/2011, comparado com o crescimento de 62,7% no sistema da CPTM, 44% no metrô e 30,4% na rede de ônibus metropolitanos.

É um fenômeno interessante esse crescimento tão acentuado da demanda do transporte de massa, embora se deva reconhecer que, enquanto o número anual de passageiros do transporte de massa haja crescido 518 milhões no mencionado período, a demanda dos sistemas municipal e metropolitano de ônibus cresceu 410,9 milhões, ou seja, quase 80% do crescimento, em números absolutos, do transporte de massa.

O início dessa escalada de demanda pelos sistemas de massa se deu com a implantação do bilhete único, que deu condições a muita gente de fazer 2 percursos pelo preço de um. Mas a aparente estagnação do transporte por ônibus se deve ao congestionamento da cidade, que tem forte influência na qualidade e no custo desses transportes em superfície. Enquanto uma viagem por metrô tem tempo definido, o mesmo não ocorre com o ônibus, onde um mesmo percurso pode demandar uma, duas, ou três horas. Dessa forma, tem valido a pena, para o passageiro do metrô e da CPTM, enfrentar todos os dissabores da superlotação do transporte de massa.

Tudo isso apenas confirma o que se vem dizendo há décadas: é preciso destinar espaços exclusivos à circulação dos ônibus, tal como preconizou o plano SISTRAN, em 1975, ao propor para a cidade uma rede de 280 km de corredores privativos para uma frota de 1.580 tróleibus, dos quais 450 seriam do modelo articulado. Olavo Setubal empenhou-se nisso, numa perspectiva ecológica de melhoria do transporte coletivo; mas seus sucessores não tiveram a mesma visão.

O grande problema do transporte em superfície é a velocidade: quanto mais se congestiona o trânsito, pior fica o sistema coletivo. Foi assim que São Paulo acabou com o seu sistema de bondes, que deveria ter permanecido, uma vez modernizado, como transporte de média capacidade. Exceção feita a alguns corredores um tanto improvisados, São Paulo conta com um sistema de alta capacidade (metrô e trem metropolitano), mas que cresce (metrô) ou se moderniza (CPTM) muito lentamente, e o resto: uma barafunda de automóveis, ônibus, caminhões, motocicletas e bicicletas, tudo disputando o mesmo espaço viário.

O que se pode propor hoje, além da ampliação e modernização da rede de transporte de massa, é a criação de um sistema de média capacidade, tal como idealizado em 1997 através da lei municipal 12.328, extinta na administração seguinte. Ou seja, a volta ao plano SISTRAN, que pode ser complementado, se assim se mostrar conveniente, por uma rede de monotrilhos, que é a proposta da Companhia do Metropolitano.

A solução visível, testada e totalmente nacionalizada, além de mais barata e mais rápida de implantação, é o corredor de ônibus elétricos.

Adriano M. Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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