TRÂNSITO GENTIL
Adriano M. Branco
SP 04/11/11
Sob esse título, a Porto Seguro proporcionou, em 27/09/11, um debate público de grande importância, em que vários convidados expuseram as suas visões acerca do trânsito da cidade de São Paulo, dando margem a manifestações do auditório. Dentre os vários pronunciamentos, destaquei um improviso do assessor de comunicações da Secretaria Municipal de Transportes, Alexandre Pelegi, que abordou com rara felicidade o conceito de “Trânsito Gentil”. Vale a pena transcrevê-lo, para que mais pessoas possam refletir sobre o tema:
Ei-lo:
“O trânsito mais gentil é um trânsito solidário. É o conceito de um trânsito em que o cidadão que compra um carro sabe o que ele irá causar, não só para a cidade, como para o seu próximo, para o ambiente em que está inserido.
As pessoas que compram um carro não sabem que estão em cima de uma máquina em que apenas cerca de 30% do combustível utilizado é transformado em energia de movimento. Os outros 70% são transformados em atrito e calor. Portanto, são jogados fora… Jogados fora, poluindo o ambiente, agravando o efeito estufa. Para isso é preciso ter uma consciência ambiental para, então, você se dignar a ser mais gentil. Sim, porque uma pessoa gentil é uma pessoa consciente, uma pessoa que conhece: conhece os efeitos das suas atitudes individuais perante o coletivo. O que eu faço e o impacto que eu causo nos que me rodeiam.
No instante em que digo aos outros: danem-se, lixem-se, explodam-se, só estou preocupado com o meu consumo individual. Aí, desculpem, eu posso ser uma pessoa cordata, posso ser uma pessoa bacana, mas antes de tudo, não passo de um hipócrita… Jamais serei uma pessoa gentil no sentido social do termo. Ser gentil com a natureza, ser gentil com o próximo, ser gentil com as minhas atitudes individuais, isso é requisito básico para se conseguir um trânsito mais gentil.
Como a gente consegue isso? Expondo as pessoas a mostrar de que lado estão: se da convivência cívica ou não… No instante em que você faz uma ciclovia, as pessoas são levadas a compartilhar o espaço. No instante em que você coloca na rua a Campanha de Proteção ao Pedestre, você mostra que elas têm que olhar para o chão, pois lá há uma faixa pintada; é um local que foi codificado… E o código é uma coisa necessária para as sociedades viverem em paz. Por isso que existem leis. Por isso a pessoa tem que aprender a respeitar. E esse respeito é uma atitude de gentileza. E a atitude de gentileza, repito, nasce de uma atitude de conhecimento. Conhecimento de onde o coletivo prevalece sobre o individual. No instante em que eu tenho um carro, eu tenho que entender que estou ocupando muito mais espaço viário, que é de todos, em meu próprio beneficio. Isso é gentil??? Portanto, cada um tem que aprender muito bem como é que exerce essa gentileza…

