A VERGONHOSA PUBLICIDADE DOS AUTOMÓVEIS
Desde muito, pessoas de bom senso recriminam a publicidade feita por várias fábricas de automóvel, seja pela mensagem às vezes incompreensível, seja, sobretudo, em razão do apelo de seus conteúdos a práticas inadequadas de direção, quase sempre fazendo a apologia da alta velocidade e da direção perigosa. Recordo uma dessas propagandas em que, ao ser multado por velocidade excessiva, de 90 km por hora, o proprietário argumenta que, na verdade, ele vinha a 120 km/h e pedia ao policial que registrasse isso no papel da multa, pois ele queria mostrar ao cunhado a excelência do seu carro…
Várias outras tem valorizado a velocidade e a aceleração, ótima para “rachas”. Uma bem recente mostra a facilidade com que a sua condutora faz um “cavalo de pau” com o automóvel, encaixando-o entre dois outros.
Enfim, a falta de imaginação e a ausência de qualidades do produto que não se voltem à afronta ao código de trânsito e às regras de civilidade, respondem por esse tipo de má publicidade.
Mas agora, estamos vendo uma nova propaganda que chega às raias do inconcebível, da valorização da futilidade, da demonstração de má conduta de um pai em relação à educação de um filho. Tendo esse pai levado à escola um adolescente, que lhe pede para sair do carro antes de chegar à escola, ele recrimina o filho com requinte de imbecilidade. Diz ele: “você sabe tocar guitarra?; você sabe surfar?; você já pegou uma menina?; Então eu é que deveria ter vergonha de você!”.
Um cidadão com esses “valores” só deveria ser mencionado em textos educacionais, apontado como o exemplo do que não deve ser um pai. Mas o pior é ver uma grande empresa dar divulgação a uma idiotice como essa, emprestando o seu nome ao apoio a um péssimo exemplo, como o são esse e os outros mencionados.
Será essa a “contribuição” da indústria automobilística para o seu “papel social?”; Será preciso proibir a publicidade de automóveis, como foi em relação àquela dos cigarros e como se mostra necessária à das bebidas alcoólicas? E o que dizem as organizações de autocontrole da publicidade?
Adriano Branco

