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A INDISCIPLINA NO TRÂNSITO

          Dias atrás eu comentei notícia de 12/06/2011, do Estadão, segundo a qual, nas rodovias estaduais e federais que compõem a malha paulista, em 2010 aplicaram-se 2,43 milhões de multas, sendo que 2,3 milhões eram por excesso de velocidade. Agora, dedico-me à análise das infrações cometidas na cidade de São Paulo.

          Em 2010 foram emitidas 6.974.682 multas de trânsito (número repercutido em matéria da revista Veja, de 06/04/2011, como sendo 6,9 milhões) que podemos arredondar para 7 milhões. É um número enorme, mas está longe de equivaler às infrações de fato cometidas. Em 2009 esse número foi próximo de 6,3 milhões, mas em 2011 (cinco meses) já se aproxima de 4 milhões!

          Nada menos de 2,1 milhões de multas em 2010 referiram-se ao desrespeito ao rodízio. Dois milhões se referem a excessos de velocidade. Depois vem o estacionamento em local proibido, com 1 milhão. Em quarto lugar, com meio milhão de multas, estão os infratores à proibição do uso do telefone celular. Em seguida vem as invasões das faixas de ônibus e os desrespeitos à sinalização semafórica, com 270 mil infrações em cada caso.

          A primeira conclusão já foi explicitada: a enormidade do número de infrações. Mas a segunda conclusão é de que a grande maioria das infrações é deliberada, é consciente. Ninguém desrespeita o rodízio, excede a velocidade ou estaciona em local proibido por descuido. Também não usa o celular ou invade a faixa de ônibus por distração.

          É por esse motivo que em nenhum país do mundo se reduziram os índices de acidentes sem uma fiscalização severa e uma penalização implacável, que ainda não praticamos. Também não se reduzem os índices sem uma educação apropriada. Mas ela, sem a punição, entra por um ouvido e sai pelo outro. O que se vê hoje na cidade é como que uma resposta ao congestionamento, que até apraz ao condutor do veículo.

          Nas rodovias há uma situação algo diferente: embora as estradas melhores do Estado recebam 65% do tráfego geral, o número de infrações e de acidentes é muito grande. Notadamente o excesso de velocidade, que responde por uma grande matança nas rodovias.

          Apesar de ser ótima a qualidade das rodovias, o índice de mortos situa-se teimosamente por volta de 3,6. Nos países de maior atenção à segurança do tráfego esse indicador está em torno de 1.

          Educação, Fiscalização e Punição são os ingredientes necessários à redução da acidentalidade, que é maior ainda do que supomos, porque não conhecemos o que se passa com o ferido após a sua remoção do local do acidente.

          Com os desastres motociclísticos se observa bem esse tipo de imprecisão. A notícia boa é que o ferido foi removido para um hospital. E depois? Quanto tempo leva para se recuperar? E, o pior: quantos ficaram com lesões graves, inutilizando-os para o trabalho ou para a vida?

 

Adriano M. Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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