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O PROJETO FURA-FILA

                A matéria “Fura-Fila vira vitrine ambiental de Kassab”, publicada na Folha de São Paulo de 03/06/2011, deixou algumas dúvidas acerca dos projetos relativos ao corredor Cidade Tiradentes.

               O chamado Fura-Fila, cuja designação oficial é “VLP – Veículo Leve Sobre Pneumáticos”,  é um projeto desenvolvido na administração Pitta envolvendo cerca de 150 quilômetros, contendo linhas radiais e circulares, aproveitando espaços viários existentes e construindo trechos elevados onde necessário (ver figura). O importante é que as vias fossem completamente segregados, para que o sistema alcançasse velocidades semelhantes às do metrô e capacidade de transporte equivalente a cerca da metade daquela do sistema metroviário (30.000 passageiros por hora e por sentido, contra 60.000 do metrô). Nasceria assim um sistema de transporte de média capacidade, muito mais eficientes do que os ônibus e que foi até criado através de lei própria, revogada na administração seguinte.

                Outras características próprias e importantes seriam:

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    • Utilização de veículos elétricos, muito mais adequados para os corredores, tal como previsto no plano SISTRAN, iniciado por Olavo Setubal e descontinuado depois. Foram abandonados, entretanto, na administração seguinte.

 

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    • Uso de veículos “guiados” automaticamente, para permitir a circulação em vias estreitas (cerca de 8 metros de largura, menos da metade do “minhocão”). Esse importante detalhe foi abandonado na gestão seguinte.

 

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    • Plataformas de embarque construídas no nível do piso interno dos veículos, permitindo entrada e saída de passageiros por quaisquer portas, sendo feita externamente a bilhetagem.

 

               Por conta de transformações feitas posteriormente à conclusão do primeiro trecho de 1.800 metros, os investimentos subiram a um patamar inaceitável, dando a impressão de inviabilidade econômica.

               No início do governo Serra, na Prefeitura, o projeto foi revisto, projetando-se a conclusão das linhas para a Vila Prudente e para o Sacomã em pista elevada e, a seguir, a sua continuidade, aproveitando o canteiro central da avenida Anhaia Melo e outras vias, até chegar à Cidade Tiradentes. Mas no período seguinte a Companhia do Metro assumiu esse prolongamento do corredor, mas substituindo a tecnologia adotada por outra, baseada em “monotrilhos”, construídos em elevados.

               Implantado em apenas 11 km, não há que estranhar o número de passageiros transportados. Não obstante, o trecho em referência, apesar das mutilações que sofreu, prejudicando o seu desempenho, é um modelo a ser visto, tal a regularidade do transporte, a sua velocidade, a freqüência disponível. Só não é silencioso e menos poluente porque se abandonou o sistema elétrico, em parte já construído.

             A história desse projeto é um dos tristes exemplos de descontinuidade administrativa e alterações resultantes do “achômetro” de pessoas pouco familiarizadas com o transporte urbano. Mas é preciso fazer justiça ao projeto original e uma forma de fazê-lo é percorrer os 11 km construídos, a despeito das lamentáveis alterações que lhe foram impostas. Eu não conheço críticos do sistema que o tenham visitado.

 Adriano Murgel Branco

 

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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