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CRÉDITO DE CARBONO

 

Artigo Publicado na Revista Marketing Industrial, nº 52 (Abril/Maio/Junho 2001)

                Após longas anos de discussão sobre a emissão de gases tóxicos pelos vários setores produtivos, em que os veículos respondem pela maior parcela, encontrou-se o caminho para estimular a economia dos combustíveis e melhorar o desempenho tecnológico das várias máquinas produtoras de poluentes: o velho e bom dinheiro … De um lado, cobram-se multas dos poluidores em excesso; de outro, creditam-se aos projetos voltados à melhoria do ambiente valores monetários que podem até ser negociados. Na verdade, esse estímulo pode se converter em um instrumento favorável à poluição, quando países poluidores compram os chamados “créditos de carbono” de nações que poluem menos, para continuar com os seus altos índices de agressão ao ambiente.

                De qualquer forma, esse “crédito” tem estimulado muitas empresas e países a reduzir a sua contribuição à poluição. Um exemplo que está na ordem do dia é o da implantação do corredor de transporte coletivo de Bogotá, que permitiu substituir automóveis por ônibus, numa proporção que comumente ultrapassa 100 por um (relação dos espaços públicos demandados pelos automóveis comparados com aqueles dos ônibus). Como essa relação, outras se observam, por exemplo, na economia de combustíveis, na redução dos poluentes, etc. etc. Uma das conseqüências desse projeto foi o direito a “créditos de carbono”, que são aplicados no próprio sistema.

                Mas é de se perguntar: e se esses ônibus fossem movidos a eletricidade? Certamente cairia ainda mais (a zero) a poluição ambiental, reduzir-se-ia o ruído, melhorar-se-ia o conforto. Mas é preciso notar que, sobretudo, economizar-se-ia energia em grande proporção. Com efeito, a tração elétrica permite usar a eletricidade com elevado índice de rendimento energético: cerca de 80%. Enquanto isso, os motores de combustão interna utilizados nos automóveis, nos ônibus, nos caminhões e nos trens, não permitem rendimentos maiores do que 30%, sendo habitual o rendimento de 15%.

                 Porque esse absurdo que fez o motor de combustão reinar por mais de um século? Porque o petróleo era abundante e barato e, por isso, vem sendo consumido desbragadamente. Até porque os países que mais consomem esvaziam as reservas dos que mais produzem. É verdade que os custos indiretos, segundo Lester Brown, incorridos até com a manutenção das esquadras que garantem a fidelidade dos produtores, equivalem a 3 ou 4 vezes o valor pago no posto.

                  Hoje se vê com clareza que a redução das reservas de energia (petróleo, carvão, quedas d’água) caminha celeremente para o esgotamento. Os recentes desastres do Golfo do México e do Japão nos mostram quão custosa e perigosa é, cada vez mais, a busca pela energia, que se desperdiça em proporções gigantescas todos os dias, até para ir de casa à padaria …

                   É o momento de criarmos um novo conceito: o do “crédito de energia”, a beneficiar até quem ande um pouco mais a pé, economizando combustível e também a energia das esteiras, que compensam a falta de exercício.

                   No passo seguinte, à luz das preocupações mundiais, vamos também criar o “crédito de água”.

 

 Adriano Murgel Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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