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NEGÓCIOS DA CHINA

          Está em plena efervescência a costura de uma base de negociações entre o Brasil e China. Infelizmente o Brasil deixou passar oportunidades de uma relação mais forte, três ou quatro décadas atrás, quando a conversa entre os dois países poderia ter-se dado em um plano de maior igualdade. Mas o governo militar brasileiro cancelou relações diplomáticas e comerciais com países comunistas, seguindo a cartilha das potências ocidentais, que chegaram ao cúmulo de não reconhecer o governo de Pequim como o legítimo representante da China na ONU, trocando-o pelo de Formosa. Isso durou anos, bloqueando oportunidades que o Brasil tentara estabelecer antes do golpe militar.

           Entretanto, essa regra de tratamento mudou quando os Estados Unidos resolveram comerciar com a China. Imediatamente os dois países estabeleceram protocolos de convivência, a representação da China na ONU, inclusive no Conselho de Segurança, passou a ser exercida por Pequim e os países que haviam rompido com a China, sem que seus povos soubessem por que, ficaram de fora das negociações. Perdemos a oportunidade de bons “negócios da China…”

            Hoje temos um bom clima de trocas comerciais com a China, assentado em relações diplomáticas adequadas. Pontos mais sensíveis dessas relações hão de ser tratados com prudência, como se está fazendo no plano comercial, principalmente neste instante da visita de Dilma Rousseff àquele país. Mas não se pode esperar que, de um momento para outro, consigamos exportar bens industrializados em maior valor do que os produtos primários.

            O estabelecimento de parcerias industriais e tecnológicas, poderá nos encaminhar para um melhor equilíbrio das relações comerciais. Mas não se pode esperar que a China abra mão de exportar produtos que ela faz melhor e com custos menores, para comprá-los no Brasil. Neste particular, cabe a nós um esforço muito grande no sentido de aprimorar a qualidade de nossos produtos, aproveitar oportunidades no campo industrial e reduzir custos, a começar pelos desperdícios em que o Brasil é pródigo.

            Para aprimorar a qualidade é imperioso investir na educação, na formação e na pesquisa tecnológicas, até aproveitando sinergias com os outros países, como a presidente brasileira acaba de fazer com a própria China.

            Aproveitar oportunidades no campo industrial, tem como foco agregar valor às matérias primas que vendemos. Por exemplo, por que vender minério de ferro e não “placas”, que se produzem na primeira fase da industrialização? Nessa fase, agrega-se energia ao minério, aproveitando as nossas potencialidades energéticas. E, ao exportar placas, reduz-se o custo do transporte.

             Reduzir custos! Essa a missão mais importante. Ao ver que 63% do transporte de cargas no Brasil são de natureza rodoviária (no estado de São Paulo 80%), quando nos Estados Unidos esse indicador não passa de 26%, dá para entender a diferença. Principalmente quando se admite que a proporção entre os custos aquaviário, ferroviário e rodoviário é de 1:2:5, especialmente quando se levam em conta as imensas externalidades negativas incorridas no transporte por rodovias. Apesar disso, o Brasil gasta muito mais recursos no sistema rodoviário do que nos modos restantes. E, para enganar-se com a lenda do transporte rodoviário barato, o país o subsidia de várias formas, como contendo o preço dos combustíveis, fantasiando um pedágio baixo, porque não cobre todos os custos, e assim por diante.

             Concluindo, é de se reconhecer que a intensificação das trocas comerciais com a China pode constituir, para o Brasil, um grande aprendizado. Reclamar com o comprador por ele não adquirir os nossos produtos mais caros, não nos encaminha para a solução do problema.

 

Adriano M. Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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