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A REBELIÃO DOS PAÍSES ÁRABES

            Por que os norte americanos foram tolerantes em relação ao governo egípcio, que desejava permanecer, e não o estão sendo com Muamar Kadafi? É que, na verdade, todos esses regimes autoritários do Egito, Líbia, Tunísia, Argélia, Jordânia, Iraque, Irã, Iêmen e Bahrein são frutos do colonialismo europeu e do neocolonialismo norte-americanos, agora agrupados entre amigos e inimigos. Quando há um movimento de libertação de um desses países, a reação francesa, inglesa, e norte-americana é temperada pelo grau de amizade e pela produção de petróleo deles.

            As interferências ocidentais nessa parte do Oriente formam uma história de atentados à soberania de povos antes subjugados pelo colonialismo e hoje controlados pelo neocolonialismo. Quem não se lembrará da invasão do Egito pela Inglaterra, França e Israel, em defesa de interesses escusos? Para sorte dos egípcios, naquele momento o interesse dos EUA estava em sentido oposto e os invasores acabaram derrotados.

            E as artimanhas dos EUA no Irã, quando a CIA depôs o primeiro ministro Mohammed Mossadegh, restabelecendo os plenos poderes do xá Reza Pahlevi. Derrubado este por forças populares, os americanos armaram e apoiaram o Iraque numa guerra contra o Irã, prometendo, ao que parece, a posse do Kuait, como troféu de guerra. Como a guerra Irã/Iraque terminou empatada, o Iraque invadiu o Kuait, provocando forte reação mundial, que levou aquele país a humilhante derrota. Mais tarde, a pretexto de que o Iraque estava construindo artefatos nucleares e químicos, os EUA invadiram o país e mataram o seu presidente. Como aquele pretexto era falso, a invasão ficou justificada pela famosa frase de Bush: “Saddam tramou contra a vida de papai”.

            Pacificaram o Iraque? Não. Ele está no rol dos descontentes.

            Como os casos citados há vários outros. Desde o acordo firmado por Roosevelt com o rei Saudita, mediante o qual os EUA garantiram o preço baixo do petróleo que compram, em troca de assistência militar à Arábia Saudita, até interferências e ameaças a vários países da região. O que rege essas relações, de um lado aparentemente tão estáveis e, de outro, periodicamente tumultuada? É certo, entretanto, que não se regem por força de um extremado apego acidental à democracia e aos direitos humanos.

            A explicação está em corajoso pronunciamento do primeiro ministro do Reino Unido, David Cameron, perante o Parlamento do Kuait, conforme notícia publicada por Valor Econômico de 23/02/11. Disse ele que seu país e potências ocidentais apoiaram regimes autoritários nos países árabes durante décadas, sob o argumento de a estabilidade na região exigia regimes extremamente controladores e que reformas e abertura poriam a estabilidade em risco. “Países como o Reino Unido tiveram de escolher entre nossos interesses e nossos valores”, disse ele, acrescentando que negar às pessoas direitos básicos não garante a estabilidade. E que “a visão de que árabes e muçulmanos não podem ter democracia é preconceituosa e beira o racismo”.

            A grande síntese de toda essa situação é de que as potencias ocidentais, particularmente Estados Unidos, Inglaterra e França, optaram por defender os seus interesses e não os seus valores, mantendo um jogo escuso de apoio ou de beligerância com os países árabes, segundo os interesses do momento, mantendo regimes ditatoriais em países amigos e incitando os adversários ao fortalecimento que julgam viável através do autoritarismo. E a todos eles forneceram armas, garantindo, com esse jogo duplo, o petróleo de que necessitam.

 

Adriano M. Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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