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TRANSPORTES – OBSTÁCULO AO DESENVOLVIMENTO

               Segundo o Discovery Channel – Virtual History, a expansão econômica da Inglaterra teve um impulso importante quando James Watt, por volta de 1765, inventou a máquina a vapor, que revolucionou a atividade industrial. Entretanto, já no final do século essa expansão encontrou séria limitação, devida às precárias condições de transporte, dentro da Grã Bretanha e na sua ligação com as colônias (e inclusive no âmbito das próprias colônias), quando Richard Trevitchick, em 1804, desenvolveu o primeiro trem a vapor, cujo desempenho não foi convincente, razão porque, na opinião do historiador Pedro Karp Vasques, a invenção da ferrovia passou a ser atribuída a George Stephenson que, em 1814, conseguiu efetuar o transporte pioneiro de carvão entre Killingswort e Hetton. A partir desse sucesso, constituiu-se a primeira ferrovia a vapor, em 1825, a Stockton e Darlington Railway.

               Em paralelo com as experiências de Trevitchick, em 1804, ocorreu o desenvolvimento, por Robert Fulton, do barco a vapor, que fez a sua primeira viagem em 1807.

               Estavam aí resolvidos os principais problemas da Inglaterra, com o advento da máquina a vapor, em 1765, que deu forte impulso à indústria, e com o uso de trens e de navios a vapor, no início do século XIX. Estes eventos, conforme afirma o Discovery Channel, consagraram definitivamente a importância do Império Britânico, que também fez uso da máquina a vapor para equipar a sua poderosa esquadra de guerra.

               No campo do transporte público, que mal resolvido promove grandes deseconomias, a Inglaterra utilizou seus trens a vapor para operar o metrô de Londres, na década de 1860, logo substituídos por composições movidas a eletricidade. E, na sequência, desenvolveu veículos elétricos para passageiros urbanos, na forma de bonde e de tróleibus, alguns destes híbridos, que se tornou uma tecnologia muito em moda 100 anos depois.

               Toda essa história vem à lembrança quando se recorda que as primeiras implantações de transportes de carga no Brasil (e particularmente no Estado de São Paulo) foram confiadas às ferrovias a vapor, por volta da metade do século XIX, algumas das quais se equiparam, logo depois, com as composições dotadas de tração elétrica. Para resolver o problema dos transportes urbanos, as grandes e médias brasileiras cidades logo implantaram (no início do século XX) sistemas de bondes (elétricos), em 70 delas.

               Entretanto, tais instalações preciosas e de elevada eficácia, foram aos poucos abandonadas, sem substituição por nada melhor. A partir da década de 1950, os bondes passaram a ser considerados entraves à circulação dos automóveis e as ferrovias substituídas por rodovias.

               Tudo errado !

               É claro que as autoridades públicas tem grave responsabilidade por tudo isso. Mas a imagem de obsolescência que se infundiu em relação aos trens e aos bondes se deve em grande parte à ação cavilosa dos porta-vozes da indústria do petróleo, da indústria automobilística, das empresas construtoras de rodovias e assemelhadas. É conhecida a ação desenvolvida pela General Motors, nos Estados Unidos, no sentido de substituir os bondes e os tróleibus por ônibus em todas as cidades e, principalmente, por automóveis, ação essa que lhe valeu uma condenação pública. Mas já era tarde: grande parte dos bondes foi queimada para ninguém ter a idéia de reaproveitá-la.

               A mesma conduta teve a GM quando, após produzir uma centena de automóveis elétricos, batizados de “Volt”, os destruiu, certamente para evitar “choques” com a indústria do petróleo. Agora ela volta com o projeto; mas pesquisa recente, segundo o Estadão de 14/01/11, feita junto à indústria automobilística americana, revela que seus dirigentes abominam a nova legislação de veículos não poluidores.

               A consequência é que o Brasil de hoje vê o seu desenvolvimento obstado pela falta de transporte adequado, sem encontrar solução, ao contrário do que ocorreu na Inglaterra duzentos anos atrás!

Adriano Murgel Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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