Imprimir este post Imprimir este post

TRANSPORTE AQUAVIÁRIO II

              Dias atrás tratei, mais uma vez, do transporte fluvial no Estado de São Paulo, procurando consolidar informações que nos permitem ver que, finalmente, o Estado caminha a passos largos na utilização eficiente, econômica e ambientalmente correta de seus rios, para talvez decuplicar a participação do modo hidroviário na sua matriz de transportes. Hoje vamos analisar, ainda, que superficialmente as perspectivas nacionais desse transporte.

             A matriz de distribuição modal dos transportes no Brasil nos oferece os seguintes números, referentes a 2007:

Modo

Milhões tku

Participação

Rodoviário

465.625

60%

Aquaviário

108.000

14%

Todos os modos

774.903

 

 

              Utilizando-se dados relativos aos fretes rodoviários e aquaviários constantes do Relatório Anual da Secretaria dos Transportes do estado de São Paulo, onde se admitem os valores respectivos de 50 e de 15 dólares por 1.000 ton.km anuais, poderemos avaliar os custos anuais dos transportes brasileiros, nessas modalidades, como segue:

Modo

Milhões US$

Rodoviário

23.280

Aquaviário

  1.620

Soma

24.900

 

               Estudos desenvolvidos pelo Ministério dos Transportes dão conta de que, para ampliar a participação do modo aquaviário na matriz nacional, de 14% para 30% são previstas 205 intervenções, a um custo da ordem de 16 bilhões de reais. Se tal alteração se der, reduzindo-se a participação rodoviária para 44%, os custos anuais dos transportes, nessas duas modalidades, passarão a ser:

Modo

milhões de tku

Milhões de US$

Rodoviário

340.957

17.048

Hidroviário

232.471

  3.487

Soma  (2 modos)

573.428

20.535

 

               Verifica-se, assim, uma economia anual da ordem de US$ 4,4 bilhões, equivalente a R$ 7,4 bilhões, ou seja, cerca de 46% dos investimentos previstos. Em síntese, o projeto para tão grande modificação, paga-se em 2 anos e a redução dos custos permanece em R$ 7,4 bilhões para todo o sempre, sem contar com a redução das externalidades negativas (poluição, acidentes, consumo excessivo de energia, etc.) intrínsecas ao transporte rodoviário.

              Em conclusão, a matriz de transportes brasileira é uma das piores do mundo, seja em termos de custo direto e indireto dos deslocamentos, seja em relação às conseqüências ambientais da exagerada demanda rodoviária. Por outro lado, o País tem uma das maiores bacias hidrográficas do Planeta, além de 8.000 km de costas, nada justificando a participação mínima do sistema hidroviário (especialmente fluvial, que representa apenas 4% do total dos transportes de carga), nessa matriz.

             Em contrapartida, as análises econômicas e sócio ambientais demonstram a grande viabilidade de se corrigir a matriz de transportes.

              O que é que falta, então?

 Adriano M. Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

Your email is never shared.
Required fields are marked *




Gingerpages