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CASAS PREFABRICADAS

              Com o título “Construtoras Viram Montadoras de Imóveis” o Estadão de 05/12/10 descreve tendências novas na construção habitacional voltadas à produção de casas e edifícios com o emprego de elementos pré-moldados que se reúnem no canteiro da obra. Ao mesmo tempo mostra que, quanto maior o grau de industrialização, maior o investimento inicial, o que só justifica em havendo grande volume de construções.

               Em 1988, quando secretário de Estado da Habitação, eu estava empenhado em viabilizar casas populares com certo grau de industrialização. Contratamos, então, vários protótipos de casas, com variadas soluções. Finalmente, visitamos soluções, para pequenos prédios, na Checoslováquia, na França, na Itália e na antiga Alemanha Oriental. O programa desta foi o que mais nos impressionou.

               A Alemanha elaborara um programa de 3 milhões de habitações, para desenvolver em 30 anos. Estive lá ao término desse período, quando o programa se encerrava sem percalços. E observe-se que, para um país que tinha cerca de 14 milhões de habitantes, o programa foi muito audacioso.

               O modelo mais simplificado (em alguns lugares vi conjuntos mais elaborados – ver figura) era construído a partir de placas pré-moldadas, para paredes e lajes. Montavam-se como um castelo de cartas (sem colunas ou vigas), com as extremidades de cada placa soldada, através de um inserto metálico, às demais, contíguas.

 

Projeto de Conjunto Habitacional Pré-Fabricado

Fonte: Industrieller Wohnungsbau – 1979

 

               As placas tinham 25 cm de espessura, porque se compunham de um sanduiche de 2 placas finas com um recheio, de 9 cm, de isopor, para resistir ao frio e gastar menos energia de calefação. O acabamento exterior das placas vinha já elaborado pelas fábricas e os banheiros eram cubos com todas as instalações elétrica, de água e de esgoto prontas. Em poucos dias o prédio, em geral com 6 andares, estava pronto.

               Tivemos a oportunidade de debater o projeto com o vice-ministro de obras que acabou pilheriando conosco e se oferecendo para desenvolver no Brasil as placas, mais finas, sem isopor.

               Para cumprir tal programa, a Alemanha Oriental implantara 60 fábricas, objetivando reduzir o transporte. E as amortizara em 30 anos.

               De volta ao Brasil conversei com vários empreiteiros de obras, que não se interessaram pelo projeto. Disse-me um deles que casa para pobre não dava lucro…

               De passagem pela França tive a oportunidade de ver um filme sobre a construção de uma cidade – Kash Malan – na Arábia Saudita, toda ela com elementos pré-moldados, fosse para construir casas, armazéns ou igrejas. Uma das realizações da engenharia que mais me impressionaram. “Em pouco mais de mil e uma noites” como dizia o filme, fizera-se uma cidade para 53.000 habitantes.

               Esse filme foi, depois, traduzido para o português pela construtora Dumez e enviado para mim. Mas mesmo essa notável forma de empreendimento não interessou aos empresários com os quais conversei.

               São passados 22 anos e agora vejo que o edifício popular pré-fabricado toma corpo. Sobretudo porque a escala de produção desejada pelo governo federal é 20 vezes maior do que se conseguiu fazer no Estado de São Paulo, apesar da conquista de uma verba orçamentária especifica para os planos habitacionais, desde 1989.

               Será que desta vez vai?

Adriano Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

One Response to “CASAS PREFABRICADAS”

  • Bom Dia,
    Como engenheiro mecanico pelo Mackenzie , ( tenho 50 anos ), e por ter tido ate o momento oportunidades em alguns segmentos de nosso empreendedorismo basileiro, no Brasil e no exterior, e desejoso de continuar neste “bonde”, agora com foco no transporte aquaviario e construcoes prefabricadas, gostaria de saber se o senhor participaria com seu conhecimento e contatos ?
    Parabenizo tambem vosso caminho de sucesso e inteligencia no trato de assuntos e situacoes a vsa apresentados,
    Atenciosamente,
    Augusto Console

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