CONSIDERAÇÕES ACERCA DO DEBATE SOBRE OS TRANSPORTES
Somente hoje tive a oportunidade de ler matéria sobre os ônibus elétricos, na seção Cotidiano da Folha de São Paulo, de 20/06/10. Mas ainda em tempo de acrescentar alguma coisa.
1. Fui Diretor de tróleibus da CMTC, quando era prefeito o Dr. Olavo Setubal, encarregado de dar início ao grande programa de corredores de tróleibus, que está sintetizado no livro “São Paulo a Cidade, o Habitante, a Administração 1975-1979” editado ao término da gestão Setubal. Mas vale a pena, também, ler no livro de memórias do Setubal o trecho em que ele justifica a sua política de implantação de corredores de tróleibus. Engenheiro, com conhecimento de economia e empresário vitorioso, o ex-prefeito sabia porque assim decidia.
2. Dizer que o transporte por tróleibus é mais caro do que por ônibus diesel é mera falácia. Os veículos a diesel, sim, são mais baratos. Mas os custos ambientais que eles geram tornam o seu transporte muito mais caro do que aquele oferecido pelos tróleibus. O mundo inteiro sabe disso.
Além disso, o custo do combustível é subsidiado pela sociedade, como o afirma o Center for Technology Assessment, dos EUA, ao calcular que, se fossem adicionadas as externalidades negativas que envolvem a produção e o uso da gasolina, ela não custaria 2 dólares por galão (2005) e sim 11 dólares. Isso antes do grande desastre do Golfo do México…
3. Mencionar a falta de energia nos tróleibus e o eventual escape das alavancas coletoras está fora de moda. Quantas vezes já se ouviu falar que o metrô parasse por falta de eletricidade? Por outro lado, os modernos tróleibus europeus tem o mesmo sistema de coleta e não tem estatística de escape, até porque os veículos modernos são guiados por dispositivos de guia junto ao solo.
Positivamente, é preciso atualizar as informações para que esse debate faça sentido
Adriano M. Branco

