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AINDA OS MINÉRIOS

               Noticia O Estado de São Paulo, de 03/05/10 que a Companhia Vale do Rio Doce acaba de vender à norueguesa Norsk Hydro 51% do capital da Albrás, 57% do capital da Alunorte, 61% do capital da Companhia de Alumina do Pará e 60% do capital da Bauxita. Enquanto o governo da Noruega entende que disso resulta um bom posicionamento da Norsk Hydro, o Governo Brasileiro “conclui” que é aceitável a sua participação. Realizando um negócio de 4,9 bilhões de dólares, a Vale imediatamente adquiriu “um dos melhores depósitos de minério de ferro do mundo”, da companhia BSG Resources, na Guiné, país africano.

               Uma das razões da Vale para realizar tal negócio é a “dificuldade estrutural da empresa para aumentar a sua competitividade: os altos custos de energia no País”. A Companhia já vinha tentando produzir alumínio no exterior para contornar esse problema, dando marcha-a-ré na política brasileira de exportar o minério com valor agregado. O País volta, agora, a exportar minério e importar alumínio, tal como faz com o minério de ferro pilotado pela mesma Vale do Rio Doce.

               Não seria mais lógico que a Vale, detentora de imensas reservas de minério de ferro e de alumínio, procurasse implantar usinas de eletricidade, como sempre fez a Votorantim, para assegurar o processamento de seus minérios?

               A par de estratégias mais adequadas para o Brasil, já que a Vale é concessionária de imensas riquezas naturais do País, está a questão que venho levantando há dias: é legítimo que a concessionária transforme em meros negócios a concessão que recebeu? É cabível que a riqueza mineral brasileira, tida como de propriedade da União, pela Constituição, vire objeto de barganhas pela concessionária, ainda mais sem que o Zé Povinho receba a parte que lhe cabe nos lucros?

               O candidato à presidência da república, José Serra, já disse em alto e bom som que: “eu não entrego o meu País; vocês jamais me verão assumindo decisões que levem à perda das riquezas do País ou à venda de seu patrimônio”.

               E o presidente Lula o que diz dessa delapidação dos recursos nacionais através do jogo da economia de mercado que recentemente desestabilizou o mundo, embaralhou a Europa e levou à falência a Grécia?

 

Adriano M. Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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