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HILLARY AVALIA QUE O IRÃ ENGANA O BRASIL*

               O uso do cachimbo deixa a boca torta, diz o velho refrão. Os Estados Unidos fizeram da América Latina gato e sapato durante mais de um século. Intervieram nos negócios brasileiros sempre que puderam, como foi no episódio do golpe militar de 1964, apoiando-o logística e politicamente e, mais, instruindo as forças de repressão por meio de agentes seus, levando brasileiros a massacrar brasileiros em grande número.

               Não foi diferente em relação aos países orientais (guerras da Coréia e do Vietnã, só para citar as mais conhecidas), bem como aos do oriente médio, onde insuflaram guerras entre o Irã e o Iraque, ora apoiando, depois assassinando o governante Saddam Hussein.

               Nas disputas entre Israel e países árabes, os norte-americanos penderam para um dos lados, armando-o até o limite da transferência de tecnologia nuclear e promovendo a instabilidade.

               O Irã tem histórico de intervenções e agressões norte-americanas que culminaram por uma dura revolta, que resultou na instalação de um regime fortemente antiamericano. Na América latina não foi muito diferente, restando como caso de mais longa hostilidade o de Cuba.

               Quando não puderam agir militarmente contra os seus adversários, impuseram, com a complacência de um mundo dependente, os bloqueios econômicos, que não atingem diretamente os seus desafetos, mas sim as populações empobrecidas. O pretexto para tais ações foi o da violação dos direitos humanos, o desenvolvimento de armas químicas e/ou nucleares, a falta de democracia.

               Como falar de violação dos direitos humanos os americanos que jogaram bombas incendiárias na população civil do Vietnã, no bojo de uma guerra que vitimou 3 milhões de inocentes? Como sustentar uma postura de defesa dos direitos humanos, um país que recentemente criou campos de concentração e de tortura em vários países? A história dos Estados Unidos está repleta de ações contrárias aos direitos individuais e coletivos.

               O pretexto das armas químicas e nucleares é igualmente ridículo. Além das armas químicas despejadas no Vietnã, os EUA forneceram artefatos dessa natureza a Saddam Hussein, quando o tiveram como aliado. Depois, inventaram a história das bombas nucleares do Iraque para poder invadí-lo e tomar conta de seus poços de petróleo. O mundo inteiro sabia da grande mentira e silenciou; como querem agora os EUA que eles o façam em relação às acusações ao Irã.

 

               Falta de democracia! Ela não existe sequer nos Estados Unidos, onde as desigualdades sociais e raciais retiram dos mais pobres o direito real de expressão; onde o poder econômico dita as regras. Mas e os aliados dos norte-americanos, governados por reis, imperadores, ditadores? Por que não são discriminados? Ao contrário, são bem tratados, porque submissos. Muitos deles chegaram ao poder por ingerência dos EUA. Mesmo sob a condução de um homem diferenciado, como é Barack Obama, os Estados Unidos não conseguem se despir da arrogância. Logo que chegou ao Brasil, o novo embaixador americano foi logo falando em “contra-retaliações”, se o nosso país praticasse as retaliações comerciais contra os EUA, aprovadas pela Organização Mundial do Comércio. “Contra-retaliações” não existem no direito comercial internacional. Elas são, na verdade, uma ameaça unilateral a um país que está rigorosamente dentro das regras internacionais.

               Mais ou menos similar é a pressão norte americana contra as relações diplomáticas brasileiras com Cuba, Venezuela e Irã, países onde os EUA já praticaram barbaridades. Vendo suas ameaças contra eles cada vez mais enfraquecidas, procuram isolar os seus amigos, apresentando-os ao mundo como ingênuos. É o que disse no Brasil a Secretária de Estado norte-americana ao afirmar que “o Irã engana o Brasil”.

               O presidente Lula está certo em procurar esgotar, sempre, os recursos diplomáticos, nas questões internacionais. Está certo em querer assegurar para outros países o mesmo direito que tem ao uso pacifico da energia nuclear. Está certo em condenar todo e qualquer uso militar da energia atômica, o que equivale a propor a destruição de todos os estoques de bombas espalhadas pelo mundo, fruto da disseminação da tecnologia belicista por aqueles que agora a querem só para seu uso.

 

* oesp, 04/MAR/2010

 

Adriano M. Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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