HIDROVIAS ESQUECIDAS
Sob o título acima, o Estadão publicou importante matéria chamando a atenção para o pouco uso que se faz, no Brasil, das hidrovias. Mas o Governo Federal vem agora atuando mais fortemente nesse campo, construindo as eclusas de Tucuruí no rio Tocantins, preparando licitação para eclusas em São Simão, Cachoeira Dourada e Itumbiara, estudando a eclusagem em Itaipú, dentre outras iniciativas. Estas obras darão forte impulso à navegação no rio Tocantins e no sistema Tietê-Paraná. Em pouco tempo, com a implantação de outras obras, poderemos ver realizado o sonho de Franco Montoro, de ligação hidroviária da bacia do Orinoco (Venezuela) à bacia do Prata, nada impossível em um país que tem 50.000km de rios potencialmente navegáveis.
Mas é interessante fazer uma análise específica da navegação no Estado de São Paulo. Os primeiros estudos do aproveitamento múltiplo das águas (pioneiros nesse sentido), referentes às bacias do Tietê e do Paraná, datam da década de 1940 e seguem as diretrizes do famoso projeto norte-americano do Vale do Tenessee. A partir daí, desenvolveram-se os aproveitamentos hidroelétricos sempre prevendo a navegação.
Mais foi no governo Montoro que se deu ênfase à implantação das comportas nas eclusas até então fechadas (quase todas), iniciativa essa que prosseguiu no governo Covas até ligar em definitivo, sob o ponto de vista da navegação, aqueles rios, cujos limites de navegabilidade estão na barragem de Itaipú, ao sul, e nas barragens de São Simão e Água Vermelha na direção oposta. Mesmo assim, há hoje 2.400km de canais navegáveis que servem a cinco estados, mas que poderão ir muito além, se fizerem as obras previstas.
No governo Alckmin, o Departamento Hidroviário fez o seu Plano Estratégico Hidroviário, que vem balizando as iniciativas de aperfeiçoamento e melhor utilização da chamada Hidrovia Tietê Paraná (cujo nome oficial é Catullo Branco, em homenagem ao seu idealizador na década de 1940). E uma das propostas à época foi o incentivo ao transporte fluvial do álcool e do açúcar, idéia prontamente adotada pela Transpetro, que já prevê lançamento de edital em fevereiro de 2010 para contratação de 20 comboios, com quatro barcaças e um empurrador, cada um, com capacidade de transporte de 7,2 milhões de litros (OESP 16/01/2010).
Do projeto de transporte fluvial do etanol resultou ainda o estudo de ampla rede de dutos, que ligarão os terminais fluviais aos terminais marítimos e àqueles de distribuição interna por ferrovia ou rodovia.
Na seqüência, a atual administração de José Serra desenvolve estudos para expandir a navegabilidade da Hidrovia Tietê do terminal de Conchas até Tietê e para a implantação de um Hidroanel, apoiado nos rios Tietê e Pinheiros, na Região Metropolitana de São Paulo e na represa Bilings.
Vê-se assim que o Estado de São Paulo está atento de longa data à navegação fluvial, tendo previsto, em seu Plano Estratégico, que ela contribua com pelo menos 6% do transporte das cargas no Estado. Algo de fundamental importância em um estado em que o modo rodoviário já atingiu a absurda participação de 93% do transporte das cargas.
Adriano M. Branco

