O TRANSPORTE DE ETANOL POR HIDROVIA
Ao mesmo tempo em que se discute, há anos, a importância da navegação fluvial no Brasil, algo de muito concreto está por acontecer: a encomenda, pela TRANSPETRO, de 20 comboios, compostos de 1 empurrador e quatro barcaças, para o transporte do etanol na hidrovia Tietê-Paraná. Serão comboios com capacidade individual de transporte de 7,2 milhões de litros, que permitirão ampliar muito a capacidade de transporte do álcool, através de um modo muito mais econômico e seguro do que o atual transporte por caminhões. Como revelou o presidente da Transpetro Sergio Machado, em entrevista publicada no Estadão de 16/01/2010, “por este modo se gastarão cerca de 4 litros de combustível para carregar uma tonelada do produto a cada mil km, enquanto por via férrea seriam 6 litros e, por via rodoviária, 15 litros”. Além disso, salientou Machado, para transportar o mesmo volume de um comboio seriam necessários 86 vagões em um trem ou 172 carretas de caminhão.
Tais carretas, enfileiradas em uma rodovia, com 100 metros de intervalo de segurança, ocupariam nada menos de 20 quilômetros de estrada.
A iniciativa ensejará, por outro lado, o desenvolvimento de estaleiros ao longo da hidrovia, ou aperfeiçoamento de alguns já existentes, que são importantes para construir e manter comboios que operarão dentro de um sistema fechado, como é a Hidrovia Tietê-Paraná, enquanto não se constroem pelo menos as eclusas de Itaipu.
Em que pese a importante cooperação entre técnicos do governo paulista e da Transpetro, para alcançar essa relevante etapa do projeto, é de justiça salientar os nomes daqueles que primeiro acreditaram na necessidade de mudar o processo logístico do escoamento do álcool, tornando-o mais competitivo, concentrando esforços na navegação fluvial, que foram o então governador Geraldo Alckmin, o então Secretário de Estado dos Transportes Dario Rais Lopes, o Gerente Geral de Novos Negócios da Transpetro, engº Ubiracyr Martins, que aqui representa toda a equipe daquela empresa que levou avante o projeto, e a equipe paulista do Departamento Hidroviário, chefiado pelo Sr. Oswaldo Rossetto.
Quem viver verá: o passo que está sendo dado pela Transpetro, que prevê ainda a ligação da hidrovia aos portos por meio de polidutos e a utilização do sistema em sentido inverso para distribuir gasolina e óleo diesel, é uma das maiores iniciativas em favor da economia do Estado de São Paulo e do setor sucro-alcooleiro (o açúcar também poderá se valer da navegação fluvial), para rever a distribuição modal das cargas que, em São Paulo, revela a catastrófica concentração no transporte rodoviário, atingindo a 93% dos volumes transportados.
Adriano M. Branco

