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COMEÇARAM A RUIR AS ESPERANÇAS

           Artigo Publicado em 14/Dez/09, no jornal Valor Econômico sob o título “Decepção do Nobel”

         

          O mundo todo festejou a eleição de Barack Obama. Quem não lembra das comemorações públicas na Cidade de Paris até altas horas?

          Festejava-se um novo Estados unidos e o seu reflexo em todo o Planeta. Festejava-se o fim da era belicista de Bush. Festejava-se um novo New Deal, que chegava para resgatar o mundo da grave crise econômica e financeira. Festejava-se o fim das intervenções americanas em outros países. Festejava-se a chegada de uma visão nova nos Estados Unidos, voltada para a sustentabilidade e para a equidade social no Planeta.

            Tudo isso foi tão acreditado que levou os organizadores do Prêmio Nobel a conferir a Obama, por conta de seus propósitos de governo, o Nobel da Paz!

            Ledo engano.

            O discurso do laureado foi uma apologia da guerra contra “o mal que existe no mundo”. Esse era o discurso de Bush contra o Eixo do Mal.

            “Negociações e uma postura sem violência não funciona com a Al Qaeda”, disse o Presidente. Funcionou no passado, quando os Estados Unidos armaram os homens de Bin Laden para expulsar os russos do Afeganistão.

            Foram os Estados Unidos que criaram essa luta sem fim no Afeganistão; foram eles que inventaram a guerra do Iraque, após terem armado aquele país contra o Irã e dotando-o inclusive de armas químicas. Foram eles que convulsionaram o Irã, até que a revolução dos Aiatolahs os expulsassem. E aí, inventaram o Eixo do Mal, invocado agora, com rara infelicidade, pelo salvador da pátria, Barack Obama.

            O que mais espanta é que Obama, tendo a especial oportunidade de fazer um discurso com os propósitos pacifistas de seu governo, escolheu justamente Oslo para uma declaração de guerra aos “malvados”.

            Agora não há como negar que o presidente Venezuelano Hugo Chaves estava com toda a razão quando advertiu, logo na eleição de Obama: “ele tem qualidades”, mas não nos esqueçamos de que é o “comandante do Império”. Meio imperador meio falcão republicano, Barack Obama rasgou o título de Prêmio Nobel da Paz e fez o discurso da guerra. A única coisa correta que disse foi que certamente haveria outras pessoas mais indicadas do que ele, para receber o Prêmio da Paz.

            Quanta diferença entre este democrata e Franklin Delano Roosevelt, cujos ideais pareciam inspirar o novo presidente!

Adriano M. Branco

 

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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