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OS OBSTÁCULOS À GESTÃO DE BARACK OBAMA – II

               Há poucos dias escrevi texto com o mesmo título deste, mostrando quantos obstáculos o presidente Obama tem que enfrentar, dentro de seu próprio país, para se dedicar à sustentabilidade do Planeta, da qual depende o próprio futuro do EUA.

               Agora nos chama a atenção para as dificuldades externas de seu governo uma declaração de uma linha, feita em novembro de 2009 pelo presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e publicada pelo Estadão. Disse ele: “Os Estados Unidos nos expoliaram e nos humilharam”.

               Não será nada fácil conduzir a política externa ignorando esse e muitos outros ressentimentos. Com efeito, o mesmo jornal estampara em 21/03/09 uma cronologia de ações americanas contra o Irã que explica a mágoa de seu presidente.

Ei-la:

1.      1953 – Golpe

Apesar das manifestações populares, CIA colabora com golpe que derruba o popular premié Mohamed Mossadegh e devolve poder ao xá Reza Pahlevi

 

2.      1972 – Laços

Presidente americano Richard Nixon visita Teerã para fortalecer a relação entre os dois países, mas oposição ao xá cresce

 

3.      Fevereiro 1979 – Revolução

Aiatolá Khomeini volta do exílio e consolida a Revolução Islâmica. Estudantes tomam embaixada americana, o que leva ao rompimento de relações

 

4.      04/11/79 – Estudantes ocupam a Embaixada dos EUA

 

5.      1980 – Guerra

EUA financiam o Iraque na guerra contra o Irã, por questões territoriais. Conflito durou oito anos

 

6.      1997 – Diálogo

Mohamed Khatami é eleito presidente e promove um diálogo de civilizações

 


7.      2002 – Eixo do mal

Relações deterioram-se quando presidente George W. Bush inclui Irã no “eixo do mal”

 

8.      2003 – Plano Atômico

Segundo a agência de Inteligência Nacional dos EUA, Irã deu início a um programa de armas nucleares

 

9.      2008 – Sanções 

EUA lideram esforços na ONU contra o programa nuclear do Irã. Conselho de Segurança aprova terceira série de sanções a Teerã

 

               Semelhante rol de queixas têm vários outros países, objetos de intervenção norte-americana, dentre os quais está o Iraque, vítima de uma invasão condenada pela ONU, cujas justificativas foram denúncias de desenvolvimento de armas químicas e nucleares, hoje sabidamente forjadas.

               Mas Obama se disse disposto, desde logo, a traçar uma nova diplomacia, inclusive tendente a reduzir as animosidades com o Irã. Propôs-se também a colocar em novo patamar as relações dos EUA com a América Latina, disposição essa cobrada pelo presidente Lula em discurso feito em Londres no dia 05/11/09, em que reclamou do acordo militar Colômbia – Estados Unidos, queixando-se ainda de que o presidente americano ignora a América Latina. (Valor Econômico 06/11/06).

               Não é um bom começo para a diplomacia americana exatamente um acordo de implantação de mais bases militares no Continente. Afinal de contas, a América Latina tem a sua extensa coletânea de queixas, que o Estadão enumerou em 03/07/09 sob o título de O império das intervenções, como segue:

1 – Cuba (1962) – Fracassa a tentativa de invasão da Baía dos Porcos feita por exilados cubanos treinados pelos EUA

 

2 – Brasil (1964) – Golpe militar contra João Goulart tem apoio da Casa Branca, que não precisou, porém, colocar em prática uma operação para reprimir a reação

 

3 – República Dominicana (1965) – Para evitar que o poder caísse nas mãos de um governo castrista, fuzileiros americanos desembarcam no país e põem no comando o ditador Joaquín Balaguer

 

4 – Bolívia (1971) – EUA articulam o golpe que derrubou o presidente Hugo Bánzer

 

5 – Chile (1973) – Militares chilenos, apoiados pelos EUA, depõem o presidente Salvador Allende

 

6 – Argentina (1976) – Com a anuência da Casa Branca, golpe instaura ditadura militar que dura até 1983 e é responsabilizada por 30 mil desaparecimentos

 

7 – Nicarágua (1981) – EUA financiam guerrilha contrarrevolucionária que combate os sandinistas

 

8 – Granada (1983) – Para derrubar um governo alinhado com Cuba, o presidente Ronald Reagan ordena a invasão do país

 

9 – Panamá (1989) – George H. Bush invade o país para derrubar e prender o general Manuel Noriega

 

10 – Venezuela (2002) – Fracassa golpe de Estado contra Chávez. Precipitadamente, o presidente George W. Bush reconhece o governo golpista, levantando suspeitas sobre a participação americana.

 

               Estas ações são consequência das chamadas doutinas Clinton e Bush, segundo as quais os EUA se dão o direito de uso unilateral da força militar, para garantir acesso irrestrito a mercados-chave, fontes de energia e recursos naturais, incluindo a posse do espaço sideral (ver, a respeito, o livro Estados Fracassados, de Noam Chonsky).

 

               O departamento de Estado norte-americano acaba de sofrer um revés, quando deu por resolvida, à custa de sua intervenção, a crise de Honduras, intervenção essa saudada pela imprensa como a “chegada da cavalaria” dos filmes de mocinho. Vencido o prazo dos ajustes preconizados, nada aconteceu. O governo golpista de Honduras parece que já não teme a cavalaria…

               Definitivamente, é preciso mudar de atitudes e superar as desconfianças do passado, traçando uma “doutrina Obama” de reconciliação mundial, respeitando os dirigentes dos outros países, com suas culturas, suas religiões, suas opções políticas e econômicas.

 Adriano M. Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

One Response to “OS OBSTÁCULOS À GESTÃO DE BARACK OBAMA – II”

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