O VEREADOR MONTORO X A COMPANHIA DE GÁS
Há poucos dias tive a oportunidade de referir-me, em REMINISCÊNCIAS, à ação firme com que o Departamento de Serviços Municipais, da Prefeitura da Capital, controlava as concessionárias de serviços públicos, relatando episódio singular de embate entre o prefeito Jânio Quadros e a Companhia Telefônica Brasileira. Hoje recordo um outro episódio, cuja figura central foi o vereador André Franco Montoro, em 1952.
Às vésperas do Natal daquele ano, segundo o relato de Montoro em “Memórias em Linha Reta”, mas também de acordo com referência feita por meu pai, o engº Plínio A. Branco, que por anos a fio foi o responsável pelo controle das Concessões Municipais, os empregados da Companhia de Gás de São Paulo pressionavam a Câmara Municipal para que fosse aquela Companhia autorizada a elevar as tarifas de gás de molde a poder cobrir o abono salarial que eles pretendiam. Reuniu-se, então, a Comissão de Serviços Públicos da Câmara, sob forte pressão dos empregados em favor do aumento tarifário e, conseqüentemente, da concessão do abono.
Montoro logo percebeu que os pleitos envolviam conflitos de competência, pois era da Prefeitura a responsabilidade por tais negociações e pediu vistas do processo, preocupando sobremaneira os trabalhadores. Ato contínuo, procurou meu pai, após aconselhar-se com alguns dos mais eminentes juristas da municipalidade, que rapidamente levantou os dados, constatando que, um ano antes, a Cia. recebera semelhante reajuste de tarifas para cobrir idêntico abono salarial. Só que, dada a redução concomitante do preço internacional do carvão – insumo que influía nas tarifas de gás – a elevação tarifária do ano anterior fora excessiva, havendo portanto recursos já arrecadados para fazer frente ao abono dos empregados.
Montoro exultou com as informações e rapidamente apresentou projeto concedendo o abono, autorizando a Companhia de Gás a utilizar o excesso tarifário para tal fim e, por derradeiro, propondo a redução das tarifas de gás. O projeto foi aprovado por unanimidade, pois já estava apoiado em dados seguros do Departamento dos Serviços Municipais, controlador das concessões.
Quando conheci Montoro, em 1982, (anos antes eu visitara, quando candidato a Prefeito, levado por Fernando Gasparian, mas sem conseqüências práticas) ele lembrou-se de meu pai e me contou essa história. E me pediu que o ajudasse na campanha a Governador com propostas na área dos serviços públicos e, em particular, dos transportes. Em 1984 vim a ser seu Secretário de Transportes, a mais rica experiência da minha vida no campo político.
Adriano M. Branco

