RECORDANDO FERNANDO GASPARIAN III
Adriano M. Branco
O auge da luta pela consolidação de uma política nacionalista para o petróleo brasileiro ocorreu na década de 50, exatamente quando as grandes companhias internacionais estavam em luta contra a nacionalização do petróleo em países do Oriente Médio, na Venezuela, no México e até na Europa, procurando evitar ou reverter decisões soberanas como a que acabou por prevalecer no Brasil. Ocupadas em outras bandas e desdenhando as reservas brasileiras, o trust internacional do petróleo não teve como se opor, de maneira eficaz, aos ingentes esforços que a sociedade brasileira desenvolveu para assegurar que: “O Petróleo é Nosso”.
Políticos, militares e estudantes, nacionalistas, foram capazes de conquistar a opinião pública em favor do grande movimento, que se consolidou com a criação da Petrobrás.
Eu era presidente da União Estadual dos Estudantes em 1952 e posso testemunhar hoje a forte presença da classe estudantil no movimento. Os anais dos Congressos Estaduais dos Estudantes, de 1952, 1953 e 1954, por exemplo, são pródigos em referências às teses em favor da exploração, pelo Estado, das fontes de energia; os artigos escritos nos jornais acadêmicos e no Jornal de Debates, por estudantes, confirmam o empenho destes na luta pelo monopólio estatal do petróleo, não raro elogiados pelas mais altas autoridades do país e da Petrobrás.
Mas também é de recordar a memorável instalação do Movimento Nacionalista Universitário, realizada em 7/05/55 no Instituto Caetano de Campos, saudada por conferência do jornalista Gondin da Fonseca. Embora criada a Petrobrás em 1954, pressentia-se a reação ao monopólio estatal, o que motivou a criação do referido Movimento, que veio a promover intenso debate no seio da sociedade. Mesmo homens não inteiramente alinhados com o monopólio estatal, como foi o general Juarez Távora, não puderam se furtar às grandes evidências da época, tendo ele próprio escrito: “a ambição desenfreada de lucro, açulada pelo incentivo de ações diplomáticas, a serviço do predomínio político ou econômico das nações mais poderosas, tem levado os trustes internacionais do petróleo a escreverem uma das páginas mais sombrias da história econômica da humanidade”.
A publicação de “Nem todo o Petróleo é Nosso” reaviva a importância do debate em torno da defesa de nossos recursos minerais, especialmente nesta quadra em que a disputa pelo petróleo está agravando as crises internacionais. Estavam certos os estudantes da década de 1950 quando se aliaram a outros brasileiros patristas para defender os recursos naturais e a soberania nacional.
Fernando Gasparian
Agosto /96

