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RECORDANDO FERNANDO GASPARIAN

               Dias atrás, dando razão a José Gregori que, em seu livro de memórias, lembrou da necessidade de ser resgatado o passado patriótico de Dilson Funaro, escrevi uma série de quatro artigos sobre ele que, na verdade, reproduzem alguns de seus principais pronunciamentos. Mas está claro que outras pessoas que conviveram com ele terão muitas referências adicionais para compor-lhe uma biografia completa.

                Aproveitando o ensejo, considero igualmente importante, ir em busca da memória de Fernando Gasparian, outro brasileiro de grande valor, que também fez parte da política universitária de nosso tempo, tendo sido presidente do Centro Acadêmico Horácio Lane, da Escola de Engenharia Mackenzie, e presidente da União Estadual dos Estudantes, do Estado de São Paulo. Fernando abriu mão de uma vida tranquila que sua fortuna pessoal permitiria, para lutar com denodo, durante a vida toda, por um Brasil melhor. Foram inúmeras as iniciativas que adotou para isso como, por exemplo, ainda ao tempo de estudante, a edição do periódico nacionalista Jornal de Debates, dirigido por outro grande brasileiro Marcus Pereira, que teve papel fundamental na defesa do monopólio estatal do petróleo.

                Foi densa de ações a vida de Fernando Gasparian e forte a sua luta, a ponto de ter sofrido um exílio forçado pelo governo militar, obrigando-o inclusive a perder o domínio de propriedades industriais. Esta é uma história que merece um dia ser contada.

                Mas atenho-me a dois documentos, apenas, que dizem bem da luta de Fernando. Trata-se primeiramente do prefácio que ele escreveu no livro Política Energética e Crise de Desenvolvimento, que comemorou o centésimo aniversário de nascimento do eng° Catullo Branco, um dos mais ardorosos batalhadores pela implantação de usinas hidroelétricas no Brasil, idealizador do aproveitamento múltiplo das águas do rio Tietê, do que resultou, além da produção de eletricidade, a navegação fluvial cuja importância hoje todos reconhecem. Foi a editora de Fernando Gasparian – a Paz e Terra – que abriu espaço para que vários autores escrevessem sobre a vida de Catullo Branco, tendo ele, Fernando, escrito um Prefácio que é um verdadeiro documento histórico e que vou reproduzir no próximo artigo.

                A origem do conhecimento de Fernando acerca de todos os fatos por ele referidos é uma notável iniciativa dele próprio quando presidente da U.E.E. Àquela época – 1952 – São Paulo vivia uma crise energética notável, que estava prejudicando todas as atividades locais, notadamente as industriais. Para debater o assunto, a UEE promoveu amplo debate, convidando especialistas de várias matizes e políticos de grande presença no cenário nacional.

                Desse encontro dá noticia detalhada o documento “História e Energia – Estatização e Privatização”, de 1977, do Departamento Histórico da Eletropaulo, organizado a partir das notas taquigráficas da Cia Light, feitas em 1952.

                Rememorando os fatos da época e, principalmente, o muito que ele ouviu de políticos brasileiros acerca do papel das concessionárias estrangeiras de serviços públicos, Fernando Gasparian produziu o Prefácio, que transcreveremos no II artigo desta pequena série.

                 Num terceiro artigo, transcreveremos outro pronunciamento, texto de referência de Gasparian ao livro “Nem todo o Petróleo é Nosso”, de autoria de outros dois grandes patriotas – Brigadeiro Sérgio Xavier Ferolla e professor Paulo Metri – igualmente publicado pela Editora Paz e Terra. Esse escrito do Fernando é provavelmente o último que ele produziu, pouco antes de falecer.

 

 Adriano Murgel Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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