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RECORDANDO DILSON FUNARO

                José Gregori, um dos mais destacados lideres de minha geração, orador inflamado e defensor intransigente de direitos humanos e causas nacionais desde o tempo de estudante, na década de 1950, diz em seu livro de memórias “Os Sonhos que Alimentam a Vida”, à página 319, que Dilson Funaro foi um patriota, cuja lembrança deve ser reverenciada.

                Conheci o Dilson nos primeiros anos de academia, na Escola de Engenharia Mackenzie. Era um visionário, sonhando sempre em montar uma indústria de automóveis, apoiada pela Citroen, tão logo se formasse, para a qual desde então me convidava. Mas, ao lado desse propósito pessoal, sonhava também com um Brasil grande e independente, industrializado segundo os programas de Juscelino Kubitschek, figura política de seu maior apreço.

                Embora oriundo de família abastada e tendo como modelo o Fernando Gasparian, que veio a ser seu cunhado, líder estudantil e logo líder industrial do maior valor, Dilson não começou a vida com sua sonhada fábrica de automóveis. Mais modestamente montou, ainda jovem, uma indústria de plásticos – a CIBRAPE – em uma pequena casa no Alto da lapa. Vitorioso em sua iniciativa adquiriu pouco tempo depois a Monitora e, mais tarde, a TROL, uma das maiores fábricas de produtos de plásticos para indústrias e para uso doméstico, além de brinquedos.

                 A par da condução de suas empresas, Dilson atuava com firmeza no Centro e na Federação das Indústrias, além do Sindicato da Indústria de Material Plástico (do qual foi presidente), convocando os industriais para a grande batalha do desenvolvimento nacional e para o combate aos setores retrógrados da vida nacional, que retardavam o progresso. Destes fatos, das décadas de 60 e 70, aos quais voltarei, dou um salto para os idos de 1986, quando Dilson veio a ser presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico, entidade que ele aplaudira em toda a sua vida, e, finalmente, Ministro da Fazenda.

                Neste período, infelizmente, a sua saúde foi minada por mal incurável. Lembro-me de tê-lo convidado para ver obras que o Banco financiara em S. Paulo – eu era então Secretário dos Transportes – e ele declinara do convite por recomendação médica. Pouco tempo depois, entretanto, aceitou ser ministro e eu lhe telefonei: “não faça isso, Dilson, porque você sabe que está pondo a sua vida em risco”. Mas o desafio era maior do que tudo e ele era o grande patriota a que José Gregori se referira.

                Seu esforço no Ministério foi ímpar. O sucesso do Plano Cruzado superou a doença. Contudo, na segundo fase do Plano, quando seria indispensável fazer ajustes, a politicalha falou mais alto e desnaturou o Plano. Lembro-me de Dilson se queixando, a mim e ao Antonio Angarita, que, enquanto ele enfrentava corajosamente os organismos internacionais – esses FMI e Banco Mundial, que impuseram aos países em desenvolvimento regras draconianas, tendentes a levá-los à recessão – adversários políticos tramavam a sua saída do Ministério, com a complacência do próprio Presidente. Ele saiu e deu no que deu: dois anos após o Brasil batia o record de inflação, algo em torno de 80% ao mês!

                Mas o pior foi o retorno do câncer, fruto das desilusões, que levou Dilson Funaro.

                Entre os episódios do fim da vida e aqueles de sua juventude, Dilson marcou a sua carreira com momentos inesquecíveis, dos quais seleciono três, dos mais importantes. São pronunciamentos por ele feitos, ao assumir a presidência do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo, depois ao empossar-se como Presidente da ALIPLAST – Associação de Produtores de Plástico na América Latina (?) e ao tomar posse da Secretaria de Planejamento do Estado de São Paulo. São pronunciamentos importantes, até como visão de futuro do Brasil, de que me ocuparei nos próximos artigos, de números II, III e IV.

 

Adriano M. Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

One Response to “RECORDANDO DILSON FUNARO”

  • Dr. Adriano , venho pela presente solicitar endereço dos advogados que estão com os livros da CIBRAPE , MONITORA , e TROL, pois preciso de certos dados de quando eu pertencia ao quadro de funcionarios destas empresas , po 7 anos , para eu requere minha aposentadoria . Meu telefone é 11- 71972236 oi 11- 36213403 Atenciosamente SP / 29/04/2010

luiz antonio da silveira on abril 29th, 2010 at 9:46 pm

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