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O MONOTRILHO DE SÃO PAULO

Notícia do Estadão, de 13/05/2009, nos dá conta da visita do Prefeito paulistano e assessores a Tókio, para ver o sistema de transportes por monotrilho lá existente. Ao que parece, as autoridades municipais e metropolitanas de São Paulo optaram por aquele modelo, que liga o aeroporto de Hameda ao centro da Cidade, para ser implantado em continuação do Fura-Fila.

O monotrilho de Tókio é velho conhecido dos paulistanos. Com efeito, em 1956 a cidade de São Paulo projetou um sistema elevado como esse, a ser implantado no canteiro central da Av. 9 de Julho. Ganhou a licitação a empresa Alweg, de Colônia (Alemanha) exatamente esse modelo que, mais tarde, ela vendeu à Hitachi, que o instalou na Disneylândia  e em Tókio, Osaka e outras localidades.

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Em São Paulo não vingou, principalmente porque o Instituto de Engenharia fez várias objeções. Dentre outras, a mudança de uma linha para outra (desvio) é complicadíssima; a troca de um pneu – dizia-se – era quase impossível; a estabilidade era precária, permitindo balanços laterais; os veículos só podem circular sobre suas vigas, o que obriga a ter pátios e oficinas nas extremidades de cada linha (como no metrô).

Curiosamente, após cancelada a licitação, uma comissão do mesmo Instituto de Engenharia visitou Colônia e voltou entusiasmada …

O monotrilho de Tókio tem 45 anos; certamente outras linhas já terão incorporado melhoramentos. De fato, aquele balança pouco, lateralmente, como eu próprio constatei cinco anos atrás.

Uma crítica genérica que se faz aos sistemas elevados é a existência de uma estrutura de concreto (ou de aço, como a de Sydney, na Austrália).

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Sydney

Dizia-se, durante as discussões do Fura-fila, que teríamos um novo “minhocão”.

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Este, contudo, em 17 m de largura, enquanto os sistemas de transportes elevados tem em torno de 8 ou 9 metros (o monotrilho, em duas direções, também). Ademais, é preciso escolher avenidas mais largas, para não ter os veículos passando junto às janelas dos prédios, como ocorre em Chicago e no minhocão.

Por muito virtuoso que seja o monotrilho tipo Tókio, ele não conseguiu resolver as questões chaves de seu isolamento por trechos, da falta de intercambialidade com outros sistemas, a da necessidade de pátios e oficinas em cada linha e, acredito, até a do balanço lateral. Enquanto isso, outros modelos de Veículo Leve sobre Pneumáticos se desenvolveram muito, chegando a composições que circulam em sítio próprio, guiados e até operadas automaticamente, como é o caso do Tókio Waterfront New Transit System Rinkai Line da própria cidade de Tókio.

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Modelos mais leves, como os de Nancy

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e de Clermont Ferrand (Translohr)

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são ainda mais versáteis, pois podem circular em elevados, em túneis ou nas ruas, mantendo a guiagem central que possuem ou dirigidos por motoristas. Sendo composições elétricas, podem, entretanto, andar fora da rede, mercê da autonomia que lhe pode conferir o sistema híbrido.

Essa versatibilidade me parece fundamental numa cidade como São Paulo. Foi isso que o Fura Fila, que tem todas essas características de guiagem própria, rodas com pneumáticos, para reduzir o ruído, eliminando a poluição e assegurando redundância na tração e nos comandos, foi desenhado a partir da utilização de veículos tróleibus, cuja tecnologia sofreu grande avanço na gestão Setubal, tecnologia essa inteiramente nacionalizada. A esse propósito, vale recordar as Memórias de Olavo Setubal, onde ele defende a sua opção pelos tróleibus: “O tróleibus não consumia petróleo, não poluía, era adequado para uma cidade com as características de São Paulo e podia ser produzido localmente, pois São Paulo reunia potencial tecnológico e industrial para isso”. Com essa filosofia se projetou, mais tarde o Fura-Fila, lembrando que a Cidade já tinha uma rede de tróleibus de mais de 300 km.

O maior intercâmbio do Brasil com o Exterior pode hoje nos levar a importar veículos e tecnologia. Mas o ideal é ter uma tecnologia versátil, que sirva para outros corredores e outras cidade e que se adapte bem à integração multimodal, cada vez mais necessária. Sobretudo, é importante que a tecnologia se ajuste às necessidades locais e nacionais.

Adriano M. Branco

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

2 Responses to “O MONOTRILHO DE SÃO PAULO”

  • Olá, estou me graduando atualmente em Logística e Transporte pela Fatec, e no meu atual projeto de conclusão de curso tenho que justamente falar sobre monotrilho, especialmente o monotrilho que será construído na zona sul.
    Poderia me passar um e-mail pra contato?
    Li seu artigo e gostei muito e gostaria de trocar algumas idéias e de algumas indicações de bibliografia que estou tendo dificuldade para encontrar.

    Atenciosamente, Rafael.

  • O monotrilho, por suas características é um modal mais apropriado para curtas distâncias, rotas turísticas e de baixa densidade.É um veículo mais frágil que o metrô, trem suburbano e VLT, além de oferecer maior risco aos usuários. Imagine-se o ocorrido com a linha vermelha do metrô, dias atrás, em um monotrilho. Não há como sair dos vagões e, se assim fosse possível, estariam os usuários – dentre estes idosos e crianças – a 15 metros de altura do chão – sob ventos e chuva então, seria um caos! A mesma proposta foi idealizada para a cidade de Poços de Caldas, e qualquer paulistano pode i até lá para ver que não deu certo e permanece como um “minhocão” estagnado ao longo do eixo central da cidade. Este projeto também foi lançado para fazer a ligação entre Cidade Tiradentes e Vila Prudente. As pessoas deste bairro da zona leste dizem satisfeitas com a chegada do metrô em sua região. Porém isto é uma manipulação sutil da opinião pública! O monotrilho não é metrô! As pessoas estão pensando que terão metrô em seu bairro, mas na verdade será um veículo mais frágil, menor e mais inseguro. Como um veículo mais adaptado a circuitos curtos ou turísticos poderá transportar a grande massa de população de Cidade Tiradentes até o metrô Vila Prudente?
    É um engodo!
    Me parece que o melhor veículo é o VLT, mais robusto e seguro que o monotrilho porque corre em superfície, em corredor segregado e estruturado de forma que outros veículos não invadam a pista – como infelizmente ocorre hoje com os corredores de ônibus. Os viadutos do trajeto podem ser pequenos e mais baratos, pois serão pontuais e a linha percorrerá o leito de avenidas já existentes, barateando, inclusive, a construção de plataformas de embarque. O VLT é mais integrado a paisagem, mais eficiente e seguro. Cidades como Paris, Londres, Buenos Aires e Barcelona, dentre outras, estão criando suas linhas desde o ano 2002 com excelentes resultados. Basta buscar na internet por “tram”. Este monotrilho será mais uma aberração apra São Paulo como o são o minhocão e o fura-fila!

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