A NOVA ENGENHARIA
Adriano Murgel Branco
Márcio Henrique Bernardes Martins
Os projetos de engenharia se preocupam, de longa data, com a chamada “viabilidade econômica”, que garante o equilíbrio econômico-financeiro dos empreendimentos. No setor público essa preocupação está sempre presente, embora se reconheça, por vezes, a necessidade de o estado subsidiar alguns serviços para torná-los ao alcance das classes sociais menos favorecidas. Agrega-se, assim, à preocupação econômico-financeira uma outra, de natureza social.
Num passo adiante, nasceu aos poucos a preocupação com o “retorno social”, que avalia em que medida o projeto em causa gera benefícios indiretos, como o efeito multiplicador na economia, alcançando toda a sociedade. A existência desses benefícios, que tem sido chamados de “balanço social”, já é um bom argumento em defesa de eventuais subsídios aos menos favorecidos. A equação vista sob esse prisma conduz à análise da “equidade social”, que se volta à continua redução das desigualdades sociais, até mesmo considerada no plano mundial.
Mas nos últimos tempos se tem visto que essas preocupações não bastam. É preciso que os projetos não agridam o meio ambiente, distribuindo prejuízos por toda a sociedade. A visão de meio ambiente, porém, não pode estar restrita ao simples entorno do empreendimento, já que se constatam hoje os efeitos das agressões ao ambiente em todas as partes do globo terrestre.
Semelhante ao problema ambiental é o cuidado necessário com a sustentabilidade, mais uma vez em escala global. Não é aceitável que a manutenção dos padrões de vida de uma parcela da humanidade se faça à custa do consumo excessivo dos recursos naturais, como à custa das desigualdades sociais.
O quadro abaixo sintetiza a evolução da natureza dos projetos, culminado nas necessidades do momento atual:
Estas considerações nos mostram que os novos rumos da economia mundial, a partir da grande crise atual, deverão estar assentados em novos princípios, de caráter global, que tenham como alvo a qualidade de vida das pessoas, igualmente assegurada a todos os povos, limitada pela sustentabilidade do Planeta e proteção do ambiente. Nunca se fez tão necessário um grande acordo entre as nações, base para uma nova engenharia do progresso.


Caros Adriano e Márcio:
Muito oportuno o artigo a respeito de novos parâmetros para análise de viabilidade de empreendimentos públicos. A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana de São Paulo vem desenvolvendo, apoiada em consultoria da Fundação Instituto de Administração da USP uma metodologia de seleção e priorização de projetos(para a qual vocês também contribuiram), que a par de considerar os necessários aspectos técnicos/econômicos de financeiros, contempla variáveis outras de análise do contexto em que serão executados tais projetos. Assim, aglutinados em títulos como GOVERNABILIDADE(capacidade de articulação dos envolvidos); CAPACIDADE DE GESTÃO(planejamento, organização, liderança e controle do empreendiumento)e EFETIVIDADE(grau de melhoria proporcionada pelo empreendimento), afere pesos a diversas variáveis sócio-econômicas e ambientais.
Um abraço,
Hélio B.Costa-Coord.Planejamento SIURB