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PARA ONDE CAMINHARÁ A HUMANIDADE

 

     Os jornais do dia 21/01/09 estamparam com grande júbilo as festividades de posse do presidente Barak Obama, que representa uma grande esperança neste momento de conturbação universal. Essa nova esperança foi marcada pelo próprio discurso do Presidente, ao anunciar uma ação “corajosa e rápida” contra a crise econômica e o propósito de reconstruir a América. “O mundo mudou e nós precisamos mudar com ele”, disse Obama, preconizando uma “nova era de responsabilidade”, para enfrentar as crises da economia e das guerras promovidas por seu país e herdadas por ele.

      Entretanto, ao mesmo tempo em que se ouvia em todo o mundo o discurso cheio de esperança, lia-se nos rodapés das imagens televisionadas que as bolsas de valores, nos principais países, estavam em queda de 5%. Também se ouvia dizer que o Senado postergara a apreciação da designação da senadora Hillary Clinton para a Secretaria de Estado, apesar de seu grande desempenho na sabatina a que se submetera. Tudo isso nos mostra que não será fácil a vida de Barak Obama.

      “Nada é impossível”, disse ele reiteradas vezes durante a campanha. Contudo, será indispensável uma ação vigorosa do presidente, em várias frentes. O problema financeiro se resolve com trabalho e credibilidade. Mas talvez ele seja a menor das três questões básicas que afligem o mundo: a econômico-financeira, a ambiental e a da equidade social. Consertada a economia, provavelmente se agravarão as duas outras questões. E da solução delas depende o futuro do mundo.

      Não se ouviu muito a respeito da decisão norte americana de atacar com firmeza as desigualdades que tem levado o mundo às guerras e à miséria, freqüentemente patrocinadas pelo chamado mundo desenvolvido no afã de garantir os recursos naturais para o seu futuro. Só acreditamos nessa disposição se os EUA derem um basta às guerras, às torturas, aos bloqueios econômicos em que se envolveram; se mostrarem ao mundo a sua disposição de mediar conflitos e de auxiliar na pacificação e na superação das desigualdades sociais. É preciso haver um programa para isso e não só boas intenções.

      Também não se ouviu muito sobre a disposição americana de atacar de frente o problema do esgotamento acelerado dos recursos naturais. Não se trata apenas de fazer carros menores ou elétricos, mera perfumaria, mas sim de mudar o estilo de vida em todo o planeta, tema sobre o qual o Presidente não parece convencido. Acabar com a supremacia do PIB sobre a qualidade de vida e a sustentabilidade. A constatação de que o mundo atual consome recursos naturais em quantidade 30% maior que a capacidade de reposição do planeta, ao mesmo tempo em que uma quarta parte da população mundial vive abaixo do nível de pobreza, é suficiente para mostrar que reside aí o maior problema a enfrentar, a curto prazo, em escala mundial. Enquanto os países ricos só se interessarem pelos pobres que tenham diamantes, ouro e petróleo, expoliando-os mais uma vez, estaremos no caminho da tragédia anunciada.

      Chamou a atenção nas solenidades de posse o lugar discreto que se destinou a Al Gore, que faz o trabalho mais importante, em todo mundo, em favor da sustentabilidade. Seria isso sinal de desinteresse pela questão?

      É preciso não esquecer da corajosa declaração de Mandela, quando cobrado pelo acelerado crescimento da AIDS em seu período de presidente da África do Sul: “eu estava muito preocupado com o desenvolvimento e negligenciei a questão da AIDS”. Estava claro que o desenvolvimento e a igualdade social eram as principais questões de seu governo e ele as tratou com empenho e eficiência. Mas a AIDS corrói o País…

       Mais grave do que essas epidemias, que aliás fazem parte do desastre ambiental, é o cuidado com o ambiente em geral, que se degrada com velocidade superior à do progresso da AIDS africana. E não tem vacina.

      A coragem de que depende hoje Obama é maior ainda daquela que teve Roosevelt ao enfrentar a crise dos anos 30. Alguns analistas apressados dizem que o New Deal não deu certo: que foi a 2º guerra mundial que salvou a economia dos EUA. Mas não dizem como teria ficado a nação americana – e o mundo – se não fosse a ação vigorosa de Roosevelt.

      Agora, a crise econômica abrange um mundo muito maior, embora algumas economias em desenvolvimento tenham meios próprios de minimizar os seu efeitos. Sem ter que queimar o café…

      Mas a ela se associam duas outras de igual ou maior importância: a sustentabilidade e a equidade social. Estará Obama preparado para tudo isso? Oxalá que sim.

      Para comprová-lo, porém, é preciso ter programas a curto prazo e não só o discurso retórico. 

Adriano M. Branco

 

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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