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SAUDAÇÃO AO EMINENTE ENGENHEIRO DO ANO

Os amigos e convidados aqui presentes não podem imaginar o quanto eu me senti lisonjeado ao saber que havia sido escolhido para fazer a saudação ao nosso homenageado.

Poucos são aqueles que têm o privilégio de iniciar as suas carreiras profissionais sob a orientação de alguém que, além de passar conhecimentos e ensinamentos, torna-se uma referência, um conselheiro e um amigo, pela vida toda.

O título de Eminente Engenheiro do Ano é conferido, pelo Instituto de Engenharia, ao profissional que tenha efetivamente contribuído para o desenvolvimento da engenharia nacional. Só para se ter uma idéia da importância e da dimensão dessa honraria, ao longo dos anos, já foram agraciados com essa comenda engenheiros da estirpe de Lucas Nogueira Garcez, Olavo Egydio Setúbal, Antonio Ermírio de Moraes, Ozires Silva, Eliezer Batista da Silva, Mário Covas Júnior, Dario Rais Lopes e Gilberto Kassab, dentre outros. 

O engenheiro Adriano Murgel Branco ouve falar de assuntos ligados à engenharia e das coisas da vida pública, desde sua infância. Seus tios, Altair Branco, Catullo Branco, Afrânio Murgel e Orlando Murgel, foram engenheiros e homens públicos do mais alto gabarito. Isso para não falar de seu pai, engenheiro Plínio Antonio Branco que, além de cuidar com inestimável zelo das responsabilidades que lhe foram confiadas nas diversas funções que ocupou na Prefeitura de São Paulo, escreveu e publicou verdadeiros tratados sobre o controle de contas públicas e sobre a concessão de serviços públicos. Seus livros são, até hoje, uma fonte de consulta de incalculável valor para juristas e administradores públicos.

Com o engenheiro Cristiano Branco Murgel, seu especial amigo e primo irmão duas vezes, o nosso homenageado dividiu a experiência de montar “rádio de galena” e com ele enfrentou grandes desafios, em várias etapas de sua vida profissional. Com seus irmãos, Samuel, Marcelo e Gabriel e com sua irmã Zilah – que sempre alcançaram reconhecimento público em todos os assuntos com os quais se envolveram – ele teve a oportunidade de desenvolver o gosto pelo debate, pela pesquisa, pela inovação e pelo enfrentamento do desconhecido.

O nosso homenageado foi casado com Elza Galvão Branco, que nos deixou em 1987. Com ela viu crescer suas filhas Cíntia e Sandra e seu filho Alberto que, na trilha dos valores e dos princípios adquiridos no seio da convivência familiar, procuram seguir os ensinamentos recebidos do pai, seja no campo profissional ou na condução de suas vidas particulares. Nos últimos 16 anos, Maria Arielze Rabelo Branco tem sido a esposa e companheira, com quem ele divide o sucesso de suas realizações e, por que não dizer, também um pouco das suas incertezas e apreensões.

Da terceira geração, fazem parte o neto Rodrigo e as netas Andréa, Isabela, Giulia e Manuela que, fãs incondicionais do avô, adoram sentar-se com os sobrinhos-netos Sílvia e Pedro, para ouvir histórias vividas ou vivenciadas pelo nosso homenageado, ao longo de sua trajetória como chefe de família e como homem público.

Faço aqui uma referência especial ao seu sobrinho Marcelo Cardinale Branco -Secretário de Infra-estrutura Urbana e Obras da Cidade de São Paulo – que, seguindo os exemplos e ensinamentos que recebeu e ainda recebe do tio e conselheiro, tem se destacado como brilhante administrador público.

A todos vocês, rendo também as minhas homenagens e peço que, ao lado dos genros Mário Farhat e Marcos Spiess, se juntem a nós nesse momento de reconhecimento e de agradecimento àquele que é um exemplo de filho, de irmão, de pai, de avô e de amigo.

Mas, não só o lado pessoal dessa figura ímpar chama a atenção daqueles que podem usufruir de sua convivência e da sua amizade. O seu lado profissional merece também ser citado, mesmo que de forma resumida. Foi nos bancos da tradicional Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie que o nosso homenageado concluiu, em 1956, o curso de engenharia elétrica.

Foi lá também, com intensa militância e destacada atuação nos assuntos relacionados à política estudantil, ao lado de homens como Fernando Gasparian, Rubens Paiva, José Gregori, Almino Affonso, entre outros, que começou a ser forjado um eterno defensor do interesse coletivo e da causa pública, bem como um dirigente de empresas públicas e privadas, com forte compromisso com a eficiência dos meios e com a eficácia dos resultados.

Assim que deixou os bancos escolares, o engenheiro Adriano Branco iniciou sua carreira profissional na extinta Companhia Municipal de Transportes Coletivos – CMTC, realizando trabalhos técnicos nas oficinas e nos laboratórios da empresa. Entre 1963 e 1973, foi diretor do Grupo TROL S/A, época em que pôde compartilhar uma franca e leal amizade com Dílson Funaro. Por um período de 20 anos, de 1957 a 1977, ele desenvolveu uma atividade paralela que lhe trouxe enorme satisfação: foi professor da cadeira de “Elementos de Eletrotécnica”, na escola de Engenharia Mackenzie e das cadeiras de “Administração Industrial e Organização” e “Problemas Brasileiros”, na Escola de Engenharia Mauá. Também foi o criador e gestor do Centro de Cursos Especiais de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia e autor do projeto de criação da Faculdade de Administração Mauá.

Em meados de 1977, na administração Olavo Setúbal, o destacado engenheiro foi convidado para assumir a Diretoria do Sistema Trólebus da Companhia Municipal de Transportes Coletivos – CMTC, com a missão de desenvolver e implantar uma nova geração de trólebus para a Cidade de São Paulo.  Seu trabalho foi tão profícuo e sua forma de atuação tão exitosa que o Governo Federal abraçou a causa e decidiu investir na reforma e ampliação dos sistemas de trólebus existentes, na implantação de um novo sistema na cidade de Ribeirão Preto e no desenvolvimento de projetos de transporte urbano para várias cidades brasileiras.

Foi exatamente nessa época que nos conhecemos e que começamos a trabalhar juntos, para meu contentamento e para a própria definição do rumo que eu daria à minha carreira profissional. São inúmeras as histórias que eu poderia relatar sobre momentos que passamos juntos e sobre uma experiência que se tornou um verdadeiro marco na história dos transportes públicos do País.

Mas, foi no período de 1984 a 1986, à frente da Secretaria de Estado dos Negócios dos Transportes que o nosso homenageado pôde mostrar toda a sua competência e a sua capacidade de realização. Em meados de 1984, no meio de uma crise política interna, o Governador André Franco Montoro convidou-o para assumir a Pasta e para resolver todo um emaranhado de situações adversas que havia sido criado nos transportes rodoviários, ferroviários, aeroviários e hidroviários do Estado de São Paulo.

Para conduzir os assuntos da própria Secretaria, do Departamento de Estradas de Rodagem – DER/SP, da DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S/A, da FEPASA – Ferrovias Paulista S/A, da VASP – Viação Aérea São Paulo S/A, do Departamento Hidroviário e do Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo, ele convocou profissionais competentes e respeitados nas suas respectivas áreas de atuação. Ao erguer os olhos, deparo-me com vários deles que, certamente, vieram trazer um abraço especial àquele que soube liderar uma equipe que marcou época na Secretaria dos Transportes.

Foi na sua gestão que o Estado de São Paulo assistiu à reorganização e ao reequipamento das entidades responsáveis pelo deslocamento de cargas e de pessoas, com destaque para a elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento dos Transportes – PDDT, aquisição de novas aeronaves para a VASP, recuperação de toda a malha rodoviária e ferroviária do Estado, construção de mais de 6.000 km de estradas vicinais, adequação e modernização de cerca de 340 terminais rodoviários, reforma e ampliação de todos os aeroportos sob jurisdição do DAESP e de todos os embarcadouros e embarcações sob responsabilidade do Departamento Hidroviário, além da eliminação de vários gargalos e pontos críticos do sistema rodoviário estadual.

Em 1987, no governo de Orestes Quércia, assumiu a Secretaria de Estado da Habitação e promoveu uma verdadeira revolução em termos de uma nova forma de enfrentar o problema da falta de moradia, particularmente para as pessoas de baixa renda. Foi sob a sua orientação que os técnicos da Secretaria e da CDHU – Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano desenvolveram o Plano Diretor de Desenvolvimento Habitacional do Estado – PDDH e conseguiram viabilizar, em tempo nunca visto, a construção de mais de 120 mil casas populares.

Foi dele a iniciativa de analisar detalhadamente a geração de tributos decorrentes do investimento público em habitação popular, ao longo de toda a sua cadeia produtiva. De posse do resultado de um estudo inédito, o engenheiro Adriano Branco levou ao Governador a proposta de destinar 1% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias – ICMS para a constituição de um fundo, dedicado exclusivamente a gerar recursos para construir casas populares. Lembro-me de vê-lo dizendo: “Enquanto as pessoas de baixa renda estiverem pagando juros, não estaremos sendo capazes de propor soluções para resolver o problema do déficit habitacional”.

De novo, seus feitos alcançaram repercussão nacional e a sua iniciativa em criar o Fórum Nacional dos Secretários de Estado da Habitação, à semelhança do que já havia feito na área dos transportes, permitiu disseminar toda a experiência e o conhecimento adquiridos na busca da solução para um problema de tamanha importância para a sociedade.

Ao longo de mais de 50 anos de atividade profissional, ele já foi dirigente de muitas empresas privadas e ocupou cargos na Diretoria Executiva ou no Conselho de Administração de várias empresas e órgãos públicos, sem contar a sua participação em conselhos consultivos e deliberativos de entidades de classe. Já realizou centenas de palestras e conferências, no Brasil e no exterior, e publicou artigos e livros que foram e continuam sendo fontes de consulta e inspiração para técnicos e especialistas em várias áreas da engenharia e da administração.

Mas, quando não chamado a emprestar o seu tirocínio e a sua competência na administração de empresas públicas ou privadas, o nosso homenageado se dedica à consultoria e, nesse campo, ele também se destaca. Sua inquietação intelectual e a sua vontade de conhecer o detalhe do detalhe da pesquisa que está conduzindo ou do estudo que está realizando o levam a produzir trabalhos técnicos que estão muito além do que reza o simples escopo do contrato de assessoria.

Sob a inspiração de formuladores de teorias nos campos da economia e da administração, tais como: John Maynard Keynes, John Kenneth Galbraith, Joseph Stiglitz, Peter Drucker e Philip Kotler e de luminares do direito, do porte de Alfredo Valladão, Meirelles Teixeira, Bilac Pinto, Geraldo Ataliba, entre outros, os seus trabalhos de consultoria, palestras e conferências proferidas, bem como seus artigos e livros publicados se tornaram, e se tornam cada vez mais, manuais de gestão e de orientação na condução de negócios públicos ou  

privados.

Para finalizar, não poderia deixar de mencionar que tem sido no terreno da denominada doutrina da concessão de serviços públicos que o engenheiro Adriano Branco tem posição destacada. Preocupado com a necessidade de se recuperar a teoria e os conceitos inerentes ao tema, ele tem defendido, ao longo do tempo, a idéia que desestatizar pressupõe regulamentar, porque para conceder serviços públicos é necessário, ter sim, regras muito claras e muito bem definidas, tanto para o Poder Concedente, como para o concessionário.

Por todas as citações feitas e por todas as razões que acabo de elencar, o Instituto de Engenharia se sente honrado por haver conferido a Adriano Murgel Branco o título de “Eminente Engenheiro do Ano” e por vê-lo incluído na sua galeria de engenheiros notáveis.

Assim, parafraseando Franklin Delano Roosevelt, de quem o nosso eminente engenheiro é ardoroso admirador, termino esta saudação com as seguintes palavras: “é melhor lançar-se à luta em busca do triunfo mesmo expondo-se ao insucesso, que formar fila com os pobres de espírito, que nem gozam muito, nem sofrem muito; e vivem nessa penumbra cinzenta sem conhecer nem vitória e nem derrota.”

Vida longa ao nosso mestre, engenheiro que honra e orgulha a nossa classe, exemplo de ética e de moral para todos nós. 
 
 

Discurso proferido pelo engº Francisco A. N. Christovam,

em 11/12/08, na entrega do título de “Eminente Engenheiro do Ano”

ao engº Adriano Murgel Branco.

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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