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CAMPANHA CONTRA A CRISE

         Diz o Estadão de 25/11/08 que o governo federal iniciará em Dezembro uma “campanha publicitária” contra a crise. Já antevejo a crítica dos adversários do governo, procurando dizer que se trata de “publicidade do governo”.

         Vivi bastante tempo na administração pública para conviver com esse tipo de briga política, que acaba inibindo os governantes de cumprir uma das suas principais obrigações, corolário da democracia e da transparência, que é INFORMAR.

         É preciso, de um lado, que a população saiba o que está ocorrendo com o seu país, até mesmo para orientar o seu próprio dia-a-dia. Mas, de outra parte, é fundamental evitar que notícias mal preparadas ou até deliberadamente falsas contaminem o espírito da comunidade. Temos visto, nos últimos dias, que, subjacente à crise financeira, há uma crise de credibilidade, que agrava a primeira. Notícias boas elevam o moral nacional e aquelas negativas transmitem pessimismo. É nesse flutuar da informação que oscilam as bolsas de valores. A comunicação oficial tem dois objetivos definidos: convencer o público acerca da conduta governamental na solução dos problemas sociais e conseguir mudanças comportamentais. È muito importante que a obra pública, por exemplo, seja objeto de informações desde a sua concepção até a sua conclusão, passo a passo. Por outro lado, é indispensável corrigir hábitos da população, quando ela desobedece as normas de trânsito, por exemplo, ou depreda os bens públicos.

         Esses assuntos são sobejamente conhecidos através de trabalhos famosos, de autores notáveis, como Philip Kotler, dentre outros. Embora o mundo privado pratique as melhores recomendações nesse sentido, no plano público isso não ocorre, especialmente devido às criticas temidas.

         No momento em que a crise financeira alcança grandes proporções em todo o mundo, é preciso não desestimular a sociedade. Vale recordar, mais uma vez, a ação firme adotada por Franklin D. Roosevelt, presidente dos Estados Unidos no longo período que se seguiu à grande depressão iniciada em 1929. Ao lado da adoção de um sem numero de corajosas medidas heterodoxas no campo da economia, ele promoveu atos de solidariedade entre as pessoas e inteligentes campanhas de crença no futuro. Assim, espalharam-se “out-doors” em todo o País procurando chamar a atenção para o moderno estilo de vida dos norte-americanos, ainda que isso soasse como uma busca do futuro. Por outro lado, foram promovidos em todos os Estados Unidos bailes de fim de semana que, algumas vezes, contaram com a presença da primeira dama.

         Roosevelt, pelo seu próprio modo de ser, inspirava confiança; ele era a principal peça do plano de comunicação. Por isso elegeu-se quatro vezes. Bem diferente do que ocorreu na própria nação americana, as mentiras de alguns presidentes desmoralizando-a e afetando a credibilidade do poder central.

         O Ministro Franklin Martins tem toda razão: é preciso fazer com que a cidadania acredite em seu país e na sua potencialidade de superar a crise; é preciso saber que há forças conjugadas para ultrapassar o mau momento e que o País tem um mínimo de preparo para isso. Veja-se, a propósito, artigo anterior em que tratei de “Visão de Futuro”.

         Roosevelt sofreu críticas por tudo o que fez; mas teve quatro mandatos. Hoje se reconhece que suas enérgicas medidas em favor do desenvolvimento foram as melhores. O pensamento Keynesiano está de volta, sugerindo investimentos públicos como remédio para a crise. E, nesse particular, o Brasil já dera um passo importante, que foi o Plano de Aceleração do Crescimento. É preciso apoiá-lo e, se possível, ampliá-lo. É preciso ganhar tempo, ao invés de criar obstáculos de inspiração política.

         É preciso que o povo saiba o que lhe convém. E, para isso, a boa COMUNICAÇÃO é indispensável.

 

 

Adriano M. Branco

28/11/08

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

Sobre Adriano Branco

Eng. Adriano Murgel Branco Adriano Murgel Branco, paulistano de 76 anos, é administrador e engenheiro eletricista formado por uma das melhores escolas de engenharia do país - a Universidade Mackenzie. Branco, foi consultor no Brasil e em Moçambique, professor universitário, ocupou inúmeros cargos públicos, entre eles o de secretário da Habitação e secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, nos anos 80. Ocupou também, cargos privados como o de diretor da Coplan, da Trol S.A., da TCL, da Caio entre outras. Ministrou palestras no Brasil,México,Colômbia,Venezuela,Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile sobre transporte, segurança rodoviária e habitação. É autor de mais de duas centenas de artigos em jornais e revistas, publicadas até na Inglaterra e Alemanha. Em 1972, foi publicada sua primeira monografia sobre Acidentes Rodoviários; em 1975 é publicada a Normatização Brasileira de Defesa Rodoviárias. Teve também três de suas monografias publicadas em 1978: Trólebus,Tendências Modernas dos transportes Coletivos Pneumáticos e Transportes Urbanos por Trólebus; nos anos oitenta foram publicadas: Uma visão Sistêmica do Transporte Urbano, O Transporte Urbano no Brasil e A Prevenção dos Recursos Hídricos no Estado de São Paulo. Seus livros mais ressentem são Segurança Rodoviária, O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos, em parceria com o Adilson Abreu Dallari, e Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos, em parceria com o economista Márcio Henrique Bernardes Martins.

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