A HISTÓRIA DO AUTOMÓVEL
José Luiz Vieira é um conhecedor insuperável da engenharia automotiva. Aos 76 anos resolveu escrever A História do Automóvel, primoroso tratado em 3 volumes, dos quais o primeiro acaba de ser editado. O livro é rico em informações e em figuras, o que o torna efetivamente um primor..
Conheci José Luiz em 1972 quando ele e eu nos dedicávamos ao estudo da segurança rodoviária. Ele recém vindo dos Estados Unidos, onde convivera por muitos anos com as indústrias de veículos, escrevia periodicamente para o “O Estado de São Paulo”, enquanto eu produzia um pequeno livro, intitulado Acidentes Rodoviários-Sinalização e Segurança, por insistência do professor engº Ion de Freitas, a partir de palestra proferida no curso de Engenharia de Tráfego, que ele dirigia, no Instituto de Pesquisas Rodoviárias.
Interessado nos textos de José Luiz, aproximei-me dele para tentar absorver um pouco de sua longa experiência como engenheiro de teste de veículos, até porque eu estava organizando uma empresa de materiais de segurança, a PROSINALIZAÇÃO S/A., subsidiária da FNV – Fábrica Nacional de Vagões e da TROL S/A. Indústria e Comércio, e representante da tecnologia da firma alemã GUBELA HAU. Seguiram-se alguns anos de intensa produtividade, tendo nascido dessa experiência as primeiras normas brasileiras de dispositivos de proteção rodoviária. Nesse período, contamos também com a adesão e apoio dos engºs Claudio Jacoponi e Christiano Murgel, que emprestaram o brilho de suas inteligências aos nossos propósitos
Anos mais tarde, quando aceitei o convite do engº Olavo Guimarães Cupertino, então Secretário Municipal dos Transportes na gestão Olavo Setubal, para modernizar o sistema de tróleibus da Capital paulistana, fui buscar o Vieira para nos ajudar a compor uma visão de futuro dos veículos de transporte coletivo. Enquanto consultoras especialmente contratadas, como a PROMEC – Projetos Mecânicos S/C. Ltda., dirigida pelo competente engº e professor Nelson Gil de Oliveira se, dedicavam a desenhar o melhor estado da arte para aquele momento (1977/1980), José Luiz tinha a tarefa de perscrutar o futuro. E o fez com muita eficiência , escrevendo “O TRÓLEIBUS CMTC DE 3ª GERAÇÃO”, texto síntese de suas recomendações inserido nos anais do seminário realizado em 1979.
São propostas suas, dentre outras, feitas há 30 anos, com vistas especialmente à operação em corredores:
· Desmembrar o motor, colocando motores nas rodas (pelo menos duas). Essa solução, apropriada para veículos elétricos,possibilitaria eliminar o eixo traseiro com diferencial, reduzindo a altura e o peso do veículo, além de distribuir melhor as massas, até então concentradas em motor, eixo e caixa de transmissão (nos ônibus). Além disso, seria possível ter uma redundância de tração, podendo o carro ser acionado por um só motor. E, finalmente, o rendimento energético do veículo seria aumentado.
· Substituir as rodas duplas por rodas simples, utilizando pneus apropriados, ou mesmo um conjunto traseiro de 4 rodas menores, sem o excesso de peso representado por eixos tratores.
· As alternativas expostas seriam especialmente úteis para veículos articulados, que poderiam ter, inclusive, 4 rodas esterçantes.
· Tração dos tróleibus em corrente alternada, reduzindo os custos da rede de alimentação.\
· Veículos híbridos (álcool-eletricidade), eliminando a necessidade de rede alimentadora.
· Veículos com motores hidráulicos nas rodas.
Passadas 3 décadas, renovam-se os transportes de média capacidade em todo o mundo, quase todos eles baseados na tração elétrica e muitos sobre pneumáticos, com os avanços preconizados por José Luiz Vieira. As figuras seguintes, confirmam isso.
Agora é só esperar que ele nos diga, ao final do 3º volume de “A História do Automóvel” como serão os automóveis do futuro…




